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Vinte anos por matar filha recém-nascida

Uma mulher foi ontem condenada, no Tribunal de Albufeira, a vinte anos de prisão pelo homicídio qualificado da sua filha recém-nascida, em Olhos-de-Água, em Agosto passado. O tribunal deu como provado que Audrey Villegente, francesa, de 27 anos, lançou a bebé ao mar, dentro de um saco de lixo, uma hora depois de a ter dado à luz num quarto do Club Med da Balaia, onde trabalhava como babysitter.<br/><br/>

11 de abril de 2008 às 00:30

Solteira, a francesa escondeu a gravidez tanto dos familiares como dos colegas. Fê-lo, segundo referiu o juiz Rui Dias, porque decidiu "livrar-se da criança matando-a após o seu nascimento".

O parto ocorreu pelas 05h00 do dia vinte de Agosto. A bebé, com 42 centímetros de comprimento, nasceu de termo e com vida. Chorou – e esse facto determinou a condenação da progenitora, pois foi ouvido e recordado por um empregado do hotel, que alertou as autoridades depois de o cadáver ser encontrado por banhistas, na praia de Olhos-de-Água, na manhã do dia seguinte.

A autópsia revelou que a recém-nascida "sobreviveu cerca de oito horas após o parto". Não tinha leite no estômago e apresentava "sinais de stress internos, coágulos intracardíacos, hemorragia das supra-renais e intracraniana", lesões "compatíveis com situação de abandono e morte por hipotermia, desidratação e hipoglicémia por ausência de cuidados necessários à manutençãodavida após o nascimento", referiu o magistrado.

Para o colectivo, "um recém-nascido não está perto do feto abortado" e Audrey agiu de forma "consciente", com "dolo directo e excepcionalmente intenso". O tribunal não aceitou a tese de infanticídio (crime punível com pena de prisão até cinco anos) sustentada pela Defesa, nem que a arguida estivesse "debaixo da influência perturbadora do parto" ou que os seus actos tenham sido "impulsivos".

Audrey, que "revelou ser capaz de matar o mais indefeso dos seres", "agiu com frieza e argúcia, dominando todos os detalhes: só a casualidade – o choro da bebé ter sido ouvido – a impediu de praticar o crime perfeito", sublinhou o juiz, recordando que a francesa apagou do quarto "todos os vestígios"e "foi trabalhar normalmente". O advogado da arguida, João Grade, vai recorrer.

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