O jovem de 19 anos que terça-feira violou uma professora de 53 anos, foi libertado depois de ter assumido à PJ do Porto a autoria do crime. Esteve detido todo o dia seguinte à violação, mas nem sequer foi ouvido pelo juiz do Tribunal de Santo Tirso – que mandou libertar o arguido alegando “prisão ilegal”. Motivo: não terá sido colocado ao jovem a possibilidade de se entregar voluntariamente às autoridades, o que implica que a PJ não tenha sustentado devidamente o perigo de fuga, obrigatório para determinar a prisão. Aos inspectores da PJ foi instaurado um processo-crime, devendo o caso ser agora investigado pelo Ministério Público.
Tudo terá acontecido na passada terça-feira, poucos minutos antes das 20h00. A professora, saída de uma reunião na escola, seguia a pé para casa quando foi agarrada por trás pelo agressor – que ela reconheceu depois nas diligências efectuadas pela PJ. A mulher, divorciada, foi empurrada para um terreno anexo a uma casa na rua Cónego de Araújo, em Santiago de Bougado, a poucos metros do prédio onde vive.
Segundo contou às autoridades, “ele tapou-lhe a boca e baixou as calças, obrigando-a a fazer-lhe sexo oral. Depois, virou-a de costas e desapertou-lhe as calças para lhe dar algumas dentadas na nádega direita”. Terá sido nesse momento que o proprietário do terreno regressou a casa, assustando o agressor.
“Ele pôs-se em fuga e esqueceu-se da bolsa a tiracolo com os documentos lá dentro”, contou fonte policial. A versão é corroborada por Celeste Neves que seguia no carro com o marido quando, no seu próprio terreno, viu a professora a gritar por socorro. “Saiu de trás da tangerineira e agarrou-se ao pescoço do meu marido, em pânico. Só pedia para não a deixar porque ele a ia matar. Ficámos muito assustados”, contou Celeste Neves ao CM.
“Estava com o pescoço todo vermelho e com o rabo mordido. As calças estavam cheias de terra. Levamo-la para a nossa cozinha e tentámos acalmá-la. Depois chamámos a GNR e os bombeiros”, contou.
TENTA SIMULAR ROUBO DA MOCHILA
A Polícia Judiciária do Porto fundamentou a detenção do indivíduo no facto da prova ser abundante, mas também porque aquele tentou furtar-se à acção da Justiça. Isto porque, no dia seguinte à violação, o indivíduo deslocou-se ao posto da GNR da Trofa para apresentar queixa pela furto da mochila que esquecera junto da professora. “Queixou-se de um roubo por esticão. Disse que tinha sido por volta das 19h00, ou seja cerca de uma hora antes da violação”, contou ao CM fonte policial.
Apesar da versão apresentada não ter colhido muita credibilidade, até porque terá referido informalmente que o autor do furto “era parecido com ele”, foi elaborada a queixa. Pouco depois, o jovem foi levado por elementos da PJ do Porto e durante o interrogatório confessou os crimes.
JÁ TINHA LIBERTADO 'CHINA'
Com a libertação do violador confesso está instalada a controvérsia e o mal-estar na Comarca de Santo Tirso, contaram várias fontes ao CM. É que a decisão foi tomada por Gil Loureiro, o mesmo juiz que em Março do ano passado mandou libertar o jovem conhecido pela alcunha de ‘China’ – que com um vasto currículo criminal, tinha sido detido por furto de um carro e tentativa de homicídio de um militar da GNR de Vila das Aves. Na altura, o juiz entendeu que o expediente tinha sido entregue fora do prazo previsto por lei. O jovem foi restituído à liberdade, mas detido poucos dias depois pela PJ de Braga, indiciado no assalto à mão armada de uma bomba de gasolina na zona de Guimarães. A cumprir prisão preventiva, evadiu-se cinco meses depois da cadeia numa fuga aparatosa com outros cinco elementos. Recapturado em Dezembro foi julgado e viu a pena de prisão transformada em horas de trabalho comunitário.
CÓDIGO MUDA REGRAS
As regras da prisão para interrogatório alteraram-se com a entrada em vigor do Código de Processo Penal, a 15 de Setembro do ano passado. Agora, para que alguém seja apresentado a juízo sob detenção é fundamental que a PJ demonstre a existência de perigo de fuga. Sendo aquele “abstracto”, o entendimento não tem sido pacífico e tem motivado situações deste género.
PROCURADOR ACEITA
A detenção do indivíduo foi efectuada pela Polícia Judiciária, fora do flagrante delito. No entanto, foi aceite pelo procurador do Ministério Público (MP), que a ratificou, entendendo que o juiz devia ouvir o suspeito em interrogatório.
LIBERTAÇÃO CRITICADA
A libertação do indivíduo está a criar mal-estar na PJ do Porto e no MP. O suspeito, por seu turno, vai agora ser notificado para ser ouvido em juízo nos próximos dias.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.