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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Vítima do triplo homicídio em barbearia de Lisboa não estava grávida. IML confundiu feto com dispositivo intrauterino

Julgamento do caso retomou esta quinta-feira, no Campus de Justiça, em Lisboa.

20 de novembro de 2025 às 15:55

Fernanda Júlia, a mulher morta a tiro num triplo homicídio numa barbearia em Lisboa, não estava grávida, ao contrário do que tinha sido avançado anteriormente. O equívoco foi do Instituto de Medicina Legal, que fez confusão com um dispositivo intrauterino.

O julgamento do caso retomou esta quinta-feira, no Campus de Justiça, em Lisboa. Durante a manhã foi ouvida uma testemunha - o jovem que estava a receber um corte de cabelo no momento do crime - e a mãe de Fernanda Júlia, enquanto assistente do processo.

A primeira testemunha disse que aquela foi a primeira vez que foi àquele cabeleireiro. O jovem confirmou que o arguido estava chateado quando entrou no estabelecimento, ordenando que lhe cortassem o cabelo. A testemunha descreveu ainda, em tribunal, que "depois de disparar, o arguido ficou suficientemente tranquilo para começar a andar" e saiu normalmente. O jovem diz não ter visto a arma, apenas ouviu os disparos, que foram todos seguidos, e viu as vítimas caídas no chão.

A mãe de Fernanda Júlia, Marta Brandão, falou essencialmente dos netos e dos efeitos que perder a mãe (e o pai, no caso da filha mais nova de Fernanda) causaram às crianças. Marta explicou que o neto mais velho, de 13 anos, tornou-se uma criança mais nervosa e que a neta tem pesadelos com a situação da morte dos pais.

O pai do filho de Fernanda foi também ouvido nesta segunda sessão do julgamento. O pai do menino disse que o filho tem piores notas desde a morte da mãe e disse que o menino descobriu tudo pela televisão. O homem contou também, emocionado, que numa noite o filho sonhou que a mãe o tinha vindo buscar.

Durante a tarde, foram ouvidas mais testemunhas, todas familiares das vítimas. Ao todo, ao longo do dia foram ouvidas 12 pessoas, das quais 10 são testemunha e duas são assistentes no processo. 

O advogado do arguido disse querer ouvir mais uma testemunha, que seria o chefe do Departamento de homicídios da Polícia Judiciária, mas a juíza negou o pedido.

O arguido manteve-se em silêncio durante toda sessão. 

As alegações finais do processo ficaram agendadas para 19 de dezembro às 9h30. 

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