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Correio da Manhã

Portugal
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Voo ilegal mata dois e prejudica família

Apesar da falta de experiência na pilotagem de aeronaves bimotores, Eddy Resende, 33 anos e proprietário da escola de pára-quedismo Skydive, decidiu assumir os comandos do Beechcraft 99 que se despenhou a 14 de Agosto de 2009 em Évora e que causou a sua morte e a do instrutor de pára-quedismo João Silva, 30 anos.
2 de Novembro de 2011 às 01:00
João Silva, 30 anos, e Eddy Resende, 33, morreram em 2009 no acidente aéreo em Évora
João Silva, 30 anos, e Eddy Resende, 33, morreram em 2009 no acidente aéreo em Évora FOTO: Alexandre M. Silva

O relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GP IAA) vem agora confirmar que o piloto não tinha licença de voo e que a empresa não possuía Certificado de Operador Aeronáutico nem se encontrava registada na Autoridade Portuguesa para a Aviação. O bimotor, que havia sido adquirido dia antes em França, não tinha também registos da manutenção.

Por causa destas ilegalidades, a família de João Silva arrisca perder todas as compensações dos seguros a que deveria ter direito. "O João tinha seguro de vida na empresa onde trabalhava, seguro desportivo por ser praticante de pára-quedismo e o seguro do crédito da casa. Mas as seguradoras recusam-se a pagar devido às irregularidades detectadas pelo GPIAA", disse ao CM a advogada da família.

Segundo Ana Clara de Campos, o relatório do GPIAA aponta para responsabilidade criminal dos envolvidos, mas "até agora não houve qualquer evolução no processo. O DIAP de Évora ainda não nos notificou de nada", garante a causídica.

Para o GPIAA, o voluntarismo e a habilidade do piloto não foram suficientes para ultrapassar a falta de conhecimentos, formação e treinos para voar com uma aeronave bimotor. Com um motor inoperativo, Eddy não conseguiu aterrar o avião em segurança e despenhou-se. Em terra ficou o filho Gonçalo, na altura com oito anos, que escapou à morte depois de Eddy ter proibido o seu embarque no fatídico voo. Antes da queda, o piloto mandou saltar os 12 passageiros, todos pára-quedistas. João Silva, director de um hotel em Lisboa, decidiu ficar a bordo.

2009 FOI ANO TRÁGICO COM SEIS MORTES NO ALENTEJO

Eddy Resende e João Silva foram as primeiras vítimas de 2009, um ano negro para a aviação com seis mortes em dois meses no Alentejo. Dois dias depois da tragédia em Évora, Posser de Andrade, 79 anos, morreu na queda do avião que pilotava após embater com uma asa num sobreiro quando acenava à família junto ao aeródromo da sua herdade em Palma, Alcácer dos Sal. No avião seguia um jovem de 18 anos que sofreu ferimentos graves. Na noite de 15 de Setembro, em Sete, Castro Verde, a queda de um bimotor da Academia Aeronáutica de Évora matou um instrutor espanhol de 25 anos e dois alunos holandeses, de 18 e 20 anos. O GPIAA concluiu que a aeronave ultrapassou os limites de carga e desintegrou-se em pleno voo.

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