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Teerão responsabilizam Estados Unidos pela "insegurança" no estreito de Ormuz

"A guerra imposta pelos Estados Unidos e pelo regime sionista, constitui a principal fonte de insegurança na nossa região", declarou Abbas Araghchi.

19 de outubro de 2026 às 18:02

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, atribuiu esta segunda-feira aos Estados Unidos a responsabilidade pela "insegurança" no estreito de Ormuz, no centro das tensões entre Teerão e Washington desde o início da guerra no Médio Oriente.

"A guerra imposta pelos Estados Unidos e pelo regime sionista [Israel], aliada ao bloqueio económico, constitui a principal fonte de insegurança na nossa região", declarou Abbas Araghchi, após se referir ao "golfo Pérsico e ao estreito de Ormuz, durante uma conferência de imprensa conjunta, em Teerão, com o homólogo russo, Serguei Lavrov.

Lavrov chegou esta segunda-feira a Teerão para uma visita oficial, num momento em que o Presidente norte-americano aliviou as sanções contra Moscovo e defendeu que a Rússia não ajuda o Irão na guerra.

Logo após aterrar na capital da República Islâmica, Lavrov reuniu-se com o homólogo Abbas Araghchi, reunião em que os dois chefes de diplomacia analisaram questões bilaterais, regionais e internacionais, segundo a agência iraniana IRNA.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, indicou no domingo que a visita tem como objetivo acompanhar a aplicação dos acordos bilaterais e trocar opiniões sobre os acontecimentos regionais e internacionais.

Segundo a agência russa TASS, Lavrov será também recebido pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e apresentará as medidas que Moscovo está a adotar para reduzir as tensões relacionadas com a guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.

A visita, a primeira desde que Lavrov visitou o país, em fevereiro de 2025, ocorre depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter atenuado a aplicação de sanções contra a Rússia e ter assegurado que Moscovo não está a ajudar Teerão no conflito iniciado a 28 de fevereiro.

A visita, disse Lavrov domingo no Bahrein, visa "impedir o regresso de uma guerra de grande escala", num cenário de impasse nas negociações entre Teerão e Washington,

No início deste mês, o Presidente russo, Vladimir Putin, garantiu ao homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, que a Rússia estava pronta para contribuir para os esforços de mediação na guerra no Médio Oriente.

A visita de Sergei Lavrov acontece quase oito meses após o início da guerra, desencadeada em fevereiro pelos ataques israelo-americanos contra o Irão, que incendiaram o Médio Oriente.

A Rússia e o Irão, dois dos países mais severamente sancionados no mundo, mantêm laços políticos estreitos. Geograficamente próximos, estão separados pelo Mar Cáspio.

A cooperação militar e económica entre ambos tem-se reforçado consideravelmente desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022.

Em Teerão, Lavrov irá também abordar com os interlocutores iranianos os resultados das reuniões que realizou no domingo no Bahrein, com representantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que solicitaram à Rússia que utilizasse as relações com Teerão para pôr fim aos ataques iranianos contra os países da aliança árabe, composta pela Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

O Irão lançou dezenas de ataques contra bases e alvos norte-americanos em países árabes durante os primeiros 40 dias da guerra e mantém bloqueado o estreito de Ormuz, o que perturbou a navegação nesta passagem marítima estratégica, onde continua a lançar ataques contra navios e petroleiros.

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