Morte por aneurisma com falha informática
Mulher esperou três horas para ser transferida de Moimenta da Beira para o hospital de Viseu e daí para Coimbra.
Uma mulher de 68 anos morreu devido à rutura de um aneurisma, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no dia 1 de março, cerca de uma semana depois de ter sido levada pelos bombeiros para o Serviço de Urgência Básica (SUB) de Moimenta da Beira. A família sempre criticou o atendimento prestado e, agora, meio ano depois da morte de Maria de Lurdes, o relatório final do processo de inquérito interno, realizado pelo SUB de Moimenta da Beira, confirma que houve "um erro informático" na triagem.
O marido de Maria de Lurdes, José Correia Melo, aponta a "má assistência médica" e "o demasiado tempo de espera" no SUB como estando na origem da morte da mulher. O caso teve início a 21 de fevereiro. Segundo os Bombeiros Voluntários de Moimenta da Beira, que fizeram o transporte, a mulher chegou ao SUB às 19h32.
Contudo, só foi à triagem quase uma hora depois, 20h27. "Confirmamos a existência de um erro informático que entretanto foi corrigido. À utente foi atribuída pulseira amarela e, apesar do erro, foi atendida no intervalo de 60 minutos", diz o relatório. "Isto não responde ao porquê de ela ter estado três horas no SUB não sei a fazer o quê até ser transportada para o hospital de Viseu", contesta o marido.
Em Viseu, diz o relatório, entrou "com a mesma pontuação na escala de consciência – Glasgow 15 – com que tinha sido admitida no SUB de Moimenta da Beira". Contudo, segundo o CHUC, "a doente transferida por suspeita de rutura de aneurisma cerebral, escala de Glasgow 9 no hospital de Viseu, foi sedada, intubada e ventilada para transferência para este centro". A diferença de valores é mais uma das contradições do relatório, que sugere que o processo de inquérito seja "arquivado", pois não foi encontrada "negligência durante o processo clínico assistencial quer da parte do médico quer da equipa de enfermagem".
Marido fez queixa contra médico no Ministério Público
O marido de Maria de Lurdes apresentou queixa no Ministério Público contra o médico, a enfermeira, o SUB de Moimenta da Beira e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Douro Sul. José Correia Melo não se conforma com a decisão de arquivamento do processo de inquérito pelo SUB de Moimenta da Beira, apoiado pelo ACES Douro Sul. O homem garante lutar "até às últimas instâncias".
PORMENORES
Escala de Glasgow
A escala de coma de Glasgow é um método usado para definir o estado de consciência dos doentes com uma lesão cerebral. A escala tem um máximo de 15 (normalidade) e um mínimo de 3 (coma profundo). Quando o doente atinge o valor 8, aconselha-se a intubação.
Primeiros sintomas
Maria de Lurdes estava em casa quando se sentiu mal, a 21 de fevereiro. O alerta foi dado às 18h50 e 40 minutos depois chegou ao SUB de Moimenta da Beira. A enfermeira da triagem atribuiu-lhe escala Glasgow 15.
Ida para Viseu
Quando a utente foi para o hospital de Viseu, o médico do SUB chamou a família e disse "estar tudo bem com a doente" e que apenas ia para Viseu "por se queixar de dores de cabeça".
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