Manto de espuma cobre rio Tejo em Abrantes

Pescadores, ambientalistas e autarcas afirmam estar "preocupados" e "indignados".

25 de janeiro de 2018 às 15:18
Manto de espuma cobre rio Tejo em Abrantes Foto: Lusa
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Pescadores, ambientalistas e autarcas afirmaram esta quinta-feira em Abrantes estarem "preocupados" e "indignados" com o manto de espuma que cobre as águas do Tejo, naquele troço do rio, tendo o vereador do Ambiente da autarquia criticado o "atentado ambiental".

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Em declarações à Lusa, Manuel Jorge Valamatos disse hoje que a "poluição visual" conferida pelo manto de espuma branca e pelas águas negras que correm junto ao açude de Abrantes, permite "constatar mais um episódio degradante de poluição no Tejo", com "problemas evidentes ao nível da qualidade e quantidade".

Segundo o autarca daquele município ribeirinho do distrito de Santarém, a situação que é visível desde quarta-feira no Tejo, onde o manto de espuma quase não deixa ver a água, "é um atentado ambiental que a todos preocupa e indigna", tendo defendido que "importa tomar medidas urgentes para que estes cenários não se voltem a repetir".

Na quarta-feira, um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu o rio Tejo na zona de Abrantes, junto à queda de água do açude insuflável, num cenário que o ambientalista Arlindo Marques , do Movimento pelo Tejo - proTEJO -, classificou como "dantesco" e que hoje ainda permanecia à vista de todos.

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"Ando nisto há mais de três anos [a registar e denunciar episódios de poluição no rio] e este é um cenário dantesco e nunca visto", disse na quarta-feira o dirigente do proTEJO à Lusa, sublinhando que a "água castanha" e o "manto de espuma da morte", que ainda hoje cobria uma extensa parte das águas, constituía "um dos piores cenários" jamais registados naquele troço do rio.

"Parece o cenário de um filme, tanta espuma que mal deixa ver a água", disse o ambientalista conhecido na região Centro como o Guardião do Tejo, devido às horas que passa junto às margens do rio, de Vila Nova da Barquinha a Mação, a registar em fotos e vídeos os casos de poluição que encontra e que partilha nas redes sociais desde 2015.

"Este é o quarto dia em que isto está a acontecer, e ontem [quarta-feira] ainda estava pior, mas é só a jusante de Vila Velha de Rodão que isto acontece", observou esta quinta-feira, acrescentando que "a origem da poluição não está em Espanha", mas nas fábricas instaladas naquela localidade do distrito de Castelo Branco.

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"Ontem [quarta-feira] fui com os pescadores a montante de Vila Velha de Rodão e não há lá poluição, a água está transparente", assegurou, tendo questionado o porquê de as entidades competentes não descobrirem a origem da poluição.

"Como é que não descobrem quem está a fazer isto?", perguntou, tendo lembrado que o proTEJO já realizou diversas manifestações de protesto, queixas na Comissão Europeia e participações ao Ministério Público e que "nada se resolve".

"Os pescadores estão a passar fome, estamos na época da lampreia e o peixe não chega aqui, e apelo ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro para que ponham cobro a isto porque, por este caminho, qualquer dia não há vida no rio", afirmou.

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Revoltada com a poluição no rio Tejo e com os prejuízos financeiros estavam também os pescadores, tendo Maria dos Anjos Paiva, 61 anos, afirmado à Lusa que pesca em Abrantes desde pequena e que não encontra "nada para pescar, nem muge, nem tainha nem lampreias".

"Desde há dois anos para cá, isto é uma miséria autêntica. Isto é a morte dos pescadores todos por este rio abaixo, é a morte do Tejo, e ninguém nos ajuda", criticou.

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