Assinaturas das mães biológicas em causa nas adoções da IURD
Rubricas em documentos a autorizar adoções são muito provavelmente das progenitoras.
A peritagem das assinaturas, a cargo do Laboratório de Polícia Científica da PJ, foi realizada no âmbito do processo que investiga as alegadas irregularidades nas adoções num antigo lar da IURD, em Lisboa. No caso de ‘Maria’, mãe biológica de Vera, Luís e Fábio - adotados por Viviane Freitas, filha do bispo Edir Macedo – é "muitíssimo provável" que a escrita seja dela. Relativamente a ‘Clara’, mãe de Pedro e Filipe, separados e adotados por dois bispos da IURD, os peritos consideram "muito provável" que a caligrafia seja a mesma.
O relatório pericial consta do processo-crime instaurado contra uma das mães biológicas. Nos exames de identificação de escrita, à letra e à assinatura, o grau de segurança situa-se na 2ª e 3ª posições de uma escala de 11. O ponto 1 é "probabilidade próxima da certeza científica".
PORMENORES
Vítima de overdose
Vera, Luís e Fábio vivem na Amadora. Foram levados para um lar por técnicas da Segurança Social. Fábio morreu aos 19 anos, com uma overdose.
Resultados da peritagem
A IURD terá pedido que os resultados das perícias às caligrafias das mães fossem juntos aos autos dos processos contra as progenitoras.
Igreja Universal critica "campanha difamatória"A IURD nega a existência de uma rede ilegal de adoções e rapto, afirmando tratar-se de "uma campanha difamatória e mentirosa". A igreja, liderada por Edir Macedo, garante que a investigação se baseia no depoimento falso de um ex-bispo, Alfredo Paulo, expulso por conduta imprópria.
"Nunca assinei nada nem fui a tribunal"
O Ministério Público pretende apurar a veracidade das afirmações das mães de que a IURD terá fabricado as assinaturas que constam do processo. "Nunca assinei nada, nem nunca estive sentada num tribunal. Nunca ninguém me procurou para assinar um papel", diz ‘Clara’.
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