Homem que vive em contentor em risco de ser expulso após queixa dos vizinhos
"Se sair daqui vou para debaixo da ponte", conta Manuel Silva.
Sem condições para trabalhar devido a um problema físico no pé que lhe dá mobilidade reduzida, com uma pensão de invalidez de pouco mais de 300 euros, e sem casa para morar, Manuel Silva fartou-se de esperar anos por uma habitação social, por parte da autarquia de Tavira, e decidiu instalar um contentor num pequeno terreno agrícola na zona da Picota, que lhe foi cedido por um amigo. Agora corre o risco de ficar sem sítio onde morar devido a queixas de vizinhos, que não gostam do aspeto do contentor onde vive há 3 anos.
"Não gostam disto aqui, mas não tenho outro sítio para morar. Até já houve um abaixo-assinado, mas eu não faço mal a ninguém. Se sair daqui vou morar para debaixo da ponte do rio Gilão", lamenta Manuel Silva de 57 anos.
O pedreiro de profissão, apesar de não ter capacidade física para exercer, reconhece que está numa situação ilegal, pois, por o terreno ser agrícola, não tem autorização para lá ter uma habitação, nem para instalar água e eletricidade - o que já tentou fazer para ter uma vida mais digna -, mas lembra que os serviços da câmara não o impediram quando avisou que iria instalar o contentor. "Marquei uma reunião com o presidente, mas ele não me pôde atender e falei com os vereadores. Eles deixaram", garante.
Ao CM, a Câmara de Tavira reconheceu que se trata de um assunto urbanístico e social complexo e que já foi sinalizado pelos serviços de ação social. Não fez mais comentários à situação, mas garante que o caso está a ser tratado.
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