Alentejo e Algarve vão limitar uso de água devido à seca
Novas licenças para furos de captação de água no Sul do País já estão suspensas.
A seca vai obrigar a uma "mudança de perfil de consumo de água em Portugal", reconheceu esta quarta-feira o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes. A agricultura, o turismo e a gestão autárquica, sobretudo no Alentejo e no Algarve, vão ter de se adaptar, consumindo menos água.
No Sul do País a concessão de novas licenças para furos de captação de água já está suspensa. A maior utilização de águas residuais para a irrigação dos campos de golfe, de culturas permanentes, assim como na lavagem de ruas, são algumas das medidas previstas para restringir o consumo de água no Sul do País. As alterações vão ser discutidas nas reuniões agendadas para o próximo dia 30 de novembro, entre Governo, autarquias e agentes económicos do Alentejo e Algarve, regiões mais preocupantes.
"Não nos enganemos com as chuvas dos últimos dias, a seca é um problema estrutural", afirmou esta quarta-feira Matos Fernandes, no final da reunião da Comissão da Seca. Desde 2015, "só em 30% dos meses é que choveu mais do que o esperado", sublinhou o ministro.
Não se prevê, neste momento, nenhuma situação de rutura no abastecimento de água ao Algarve. No entanto, garantiu Matos Fernandes, caso seja necessário será injetada água no sistema, proveniente da barragem do Funcho.
"Se até 7 de janeiro não houver uma subida de nível das águas, nomeadamente, na albufeira de Odelouca, vamos injetar água" a partir do Funcho, com capacidade para garantir o fornecimento durante um ano, concretizou o ministro. Ainda assim, Matos Fernandes quer "limitar severamente a possibilidade de fazer furos para captação de água nas zonas mais críticas: oito no Algarve e duas na bacia do Guadiana, portanto, no Alentejo interior". Novos projetos empresariais terão, no futuro, de acautelar o "stress hídrico" do País, explicou.
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