Pandemia deixa Lisboa sem festa nem arraiais
Não há memória de uma noite assim, com as ruas vazias e as casas de fado sem clientes.
A madrugada de sexta para sábado assistiu, em Lisboa, à mais triste noite de Santo António de que há memória. Helena Silva, fadista, nem queria acreditar no que os olhos viam. "Mas alguma vez alguém pensou que um vírus – uma coisa invisível – pudesse dar cabo do Santo António?", questionava.
"No ano passado andávamos todos por Alfama a atropelar-nos uns aos outros. Agora está tudo vazio", afirmou, enquanto lamentava a vida cada vez mais difícil das casas de fado. "Não é possível estar três meses fechado a pagar renda de mil euros por mês", sublinhou. "Algumas casas tiveram de fechar ou foram trespassadas, o que é muito complicado. Está muito difícil para os fadistas e para os guitarristas", concluiu.
Com as ruas praticamente vazias e os clientes dos restaurantes a manterem escrupulosamente as distâncias recomendadas pelas autoridades de Saúde, os comerciantes, apesar de tudo, não se queixavam.
Ao fim da noite, com as portas do estabelecimento a fecharem, Lino Ramos estava satisfeito. "Pensei que ia ser pior, sinceramente, com estas miniférias e tudo o mais. Apesar de tudo houve alguma afluência de gente. E ninguém se queixou da qualidade da sardinha".
PORMENORES
Festa no Braço de Prata
Ontem, a associação Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa, celebrou 13 anos e organizou um concerto comemorativo.
Espetáculos proibidos
Os concertos em pequenas salas estão proibidos mas a associação fez festa. "Respeitámos regras e mantivemos distâncias", disse o diretor, Nuno Nabais.
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