"É uma anormalidade": Professora de 68 anos espera há dois anos por reforma
"Nunca pensei que esta situação fosse possível", diz incrédula Maria da Graça Silva.
"É uma anormalidade e nunca imaginei que isto fosse possível. Talvez quando morrer receba a reforma a que tenho direito." As palavras de indignação e revolta são de Maria da Graça Silva, professora de Filosofia, de 68 anos, que está há 26 meses há espera da reforma, na Maia.
"Ao fim de 37 anos de trabalho decidi pedir a reforma. Informei-me, preenchi os formulários, cumpri todos os requisitos e entreguei o pedido a 18 de fevereiro de 2020. A verdade é que até agora não obtive qualquer resposta", conta ao Correio da Manhã.
Perante o silêncio, Maria dirigiu-se à Caixa Geral de Aposentações (CGA) e percebeu que o processo "aguardava o cálculo da carreira contributiva", da responsabilidade da Caixa Nacional de Pensões (CNP). Enquanto isso, passaram 26 meses e a docente sobrevive com a pensão de viuvez, lamentando o facto de "não conseguir planear a velhice".
"Não havendo resposta da CNP, que faz parte da Segurança Social, percebemos que a CGA vai fazendo várias insistências. Apesar disso, a dona Maria continua sem reforma, o que é incompreensível porque este processo podia ter ficado resolvido em poucos meses", refere a advogada da utente, Clara Guilherme. O CM questionou a Segurança Social duas vezes, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.
PORMENORES
"Estou espantada"
"Esperei, esperei e esperei. Ao fim de um ano percebi que nunca me disseram nada e que as minhas colegas professoras, que pediram reforma na mesma altura que eu, já estavam reformadas. Estou espantada, nunca pensei que esta situação fosse possível", diz incrédula Maria da Graça Silva.
Feitas onze insistências
A advogada da docente diz que foram feitas onze insistências para perceber a razão dos atrasos. "O processo deveria ter ficado fechado cerca de meia dúzia de meses após ter dado entrada o pedido", descreveu Clara Guilherme. A professora deu aulas em escolas públicas e em escolas privadas.
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