66% dos doentes oncológicos estão vivos cinco anos após diagnóstico
Dados da sobrevivência ao cancro foram conhecidos na terça-feira. Homens vivem menos do que as mulheres. Cancro da tiroide é dos que menos mata.
A taxa de sobrevivência ao cancro cinco anos após o diagnóstico atingiu os 66%. Ou seja: quase dois em três doentes oncológicos diagnosticados pela primeira vez em 2019 viveram, pelo menos, cinco anos. Os dados constam no Registo Oncológico Nacional (RON), divulgado esta terça-feira.
Para elaborar o relatório, foram analisados 54 147 tumores malignos, tanto em homens como em mulheres. No levantamento que fez, o RON analisou as taxas de sobrevivência entre os sexos. E há diferenças claras entre homens e mulheres: enquanto pelo menos 72% das doentes oncológicas sobreviveram nos cinco anos após o diagnóstico, a taxa é mais baixa nos homens (62%).
No caso dos doentes masculinos, o cancro com maior taxa de sobrevivência é o do testículo (97%). Em sentido contrário, são os cancros primários de origem desconhecida (isto é, quando há metástases no corpo mas não se deteta o tumor original) os que mais matam, com apenas 10,5% dos homens a sobreviverem.
Foram analisados mais de 54 mil tumores malignos em homens e mulheres
Já as mulheres têm uma taxa de sobrevivência de 100% nas “doenças mieloproliferativas crónicas” (cancros do sangue raros que levam a medula a produzir células sanguíneas maduras em excesso), seguindo-se os cancros da tiroide (99,3%). Tal como nos homens, os cancros primários de origem desconhecida são os que mais mulheres matam (10,2% de taxa de sobrevivência).
No que toca às regiões, é na Madeira que a taxa de sobrevivência é menor (59,5%). Já o Norte (68%) e o Centro (67,4%) são as regiões do País com mais sobreviventes oncológicos cinco anos após o diagnóstico.
"Temos taxas de sobrevivência muito boas"
À Lusa, a coordenadora do RON, Maria José Bento, destacou as taxas de sobrevivência registadas. Segundo a médica, Portugal tem "taxas de sobrevivência muito boas, comparadas quase aos países nórdicos". No entanto, não se devem descurar os rastreios, que acrescentam "anos de vida". "A população tem de participar. São serviços cada vez mais alargados, como o rastreio do cancro do colo [do útero] e do reto. Mas ainda há lugar para crescimento", considerou. A responsável afirmou ainda que as taxas de sobrevivência desiguais entre sexos podem ter várias motivos, mas "habitualmente as mulheres são mais atentas aos sintomas" e vão "mais atentamente ao médico" do que os homens.
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