A melhor vendedora de panelas do Mundo: conheça a história de Emília Santos

A vida pregou-lhe muitas partidas, mas Emília nunca desistiu de lutar. Uma força da natureza.

12 de julho de 2026 às 01:30
Emília dos Santos, hoje com 82 anos, vive com o companheiro, em Alhos Vedros, o local que a viu crescer. Uma vida que dava um filme Foto: CMTV
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Emília dos Santos construiu uma carreira de sucesso na Venezuela. Aos 71 anos, acreditava que as dificuldades tivessem ficado no passado até a violência lhe destruir a tranquilidade. Em 2016, o filho mais novo foi morto com seis tiros dentro de casa. A dor fê-la regressar a Portugal, com a família, depois de mais de 40 anos do outro lado do Atlântico. Mas já em terras lusitanas perdeu o marido, vítima de cancro no estômago. “O meu casamento durou 55 anos e eu ainda era apaixonada por ele”, conta. Emília tem hoje 82 anos, cresceu em Alhos Vedros, na Moita. Começou a trabalhar aos 14 anos, como broquista numa empresa de cortiça. “Antes do 25 de Abril eu não tinha conhecimento de nada. Era uma pessoa apagada”, revela. Mas foi nesse dia que nasceu uma outra mulher, a que questiona e que acredita que pode mudar o rumo da vida. “Lutei por um médico na fábrica, pela redução do horário semanal e pela igualdade salarial. E consegui tudo”, diz, orgulhosa.

Durante um ano, sustentou a casa em Portugal, com os dois filhos, enquanto o marido tinha emigrado para a Venezuela. “Passei dificuldades, ele ainda me tentou convencer a ficar cá, mas eu sou teimosa”, acrescenta, a rir. Emília vendeu o pouco que tinha e despediu-se.

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“Pouco depois de sairmos de Portugal roubaram-nos tudo, num assalto. Vivíamos num quarto, os quatro, eu comecei como porteira, trabalhei numa padaria e depois candidatei-me a uma vaga de comercial numa empresa de panelas”, descreve Emília os primeiros anos emigrada. “Comecei a vender sem saber falar espanhol, mas motivação era tanta…”, diz a mulher que, ao fim de um ano como vendedora, já era supervisora. De dona de casa e porteira passou a líder executiva da Rena Ware Internacional. “Cheguei a ser a melhor vendedora do Mundo. Ganhava o dinheiro que queria”, afirma. Emília tinha uma carreira consolidada; tinha carros, casas, contas bancárias recheadas e a vida que sempre sonhou até ao dia da morte do filho. “Foi o dia mais triste da minha vida, quando me ligaram a dizer que as minhas netas tinham sido sequestradas e o meu filho, Paulo, de 50 anos, tinha morrido, no jacuzzi”, diz, em lágrimas. “Foi muito doloroso, mas tinha de ter coragem porque eu tinha de viver”, revelando ainda que depois deixou de trabalhar e se dedicou aos netos. Já em 2020, depois da morte do marido, Emília regressa à Venezuela e percebe que a fortuna desapareceu. “Foi devido à conversão da moeda por causa do Presidente. Pensava que ia trazer para Portugal cerca de 750 mil euros e afinal tinha as contas quase a zeros”, expõe.

Sem se conformar com a dor, de regresso a Portugal, os netos deram um empurrãozinho. “Inscrevemos a avó no Tinder”, conta Ana, uma das netas. Ela aceitou, e o que era uma brincadeira virou realidade. Hoje vive com o companheiro, em Alhos Vedros, o local que a viu crescer.

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