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Corre 10 quilómetros apesar da paralisia cerebral: conheça a história de Miguel Vicente

Miguel nasceu com um problema neurológico grave e disseram-lhe que não iria andar nem falar. Contra todas as previsões, nada e corre.

03 de maio de 2026 às 18:08
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Corre 10 quilómetros apesar da paralisia cerebral: conheça a história de Miguel Vicente

Recebido na meta entre lágrimas, Miguel Vicente, com paralisia cerebral, corre 10 quilómetros. “Estávamos todos a chorar, foi inacreditável.” É assim que a irmã descreve o momento em que Miguel, de 28 anos, de Sintra, terminou a primeira prova de corrida de 10 km. Miguel nasceu após uma gravidez que se prolongou quase até às 42 semanas. “O parto não foi de cesariana, ele ficou preso e sem oxigénio durante o nascimento. Não chorou e foi imediatamente retirado à minha mãe”, conta Madalena Vicente, de 32 anos. Durante as primeiras semanas ficou na incubadora, mas pouco tempo depois chegou o diagnóstico: paralisia cerebral. “Os médicos disseram que não ia andar nem falar”, recorda. Mas a realidade veio contrariar as previsões e hoje Miguel fala - com algumas dificuldades - e não só anda como corre.

Desde cedo, a família fez de tudo para promover a sua independência através de vários tipos de terapias. Ainda em pequeno usou talas para corrigir a posição dos pés e das mãos. O gosto pelo desporto veio do pai. Passou pela natação e pelo futebol até chegar à corrida. Hoje, “treina de forma progressiva, mas como qualquer outra pessoa, ao seu tempo” explica Glória Dias, uma das treinadoras.

A paralisia cerebral é uma condição neurológica permanente que afeta o controlo muscular e a coordenação - precisamente as capacidades exigidas na corrida. Talvez por isso Miguel tenha decidido enfrentar esse desafio. “Tudo o que é mais difícil é o que o meu irmão gosta”, diz a irmã.

Ao longo do percurso escolar, passou por episódios de bullying, “reflexo da dificuldade de algumas crianças em compreenderem a diferença”, conta Madalena, destacando também que o irmão tem a carta de condução, algo que disseram que não iria “ser capaz”. A prova de 10 km foi mais um dos momentos de afirmação. O próximo objetivo é a meia-maratona (21 km).

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