Aborto subiu 5% para 18601 interrupções da gravidez em 2024
39,6% das IG “por opção da mulher” foram realizadas em mulheres de nacionalidade não portuguesa.
Em 2024, foram registadas 18 601 interrupções da gravidez (IG), verificando-se um aumento de cerca de 5% relativamente a 2023, divulgou esta sexta-feira a Direção-Geral da Saúde.
"A IG por “opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gravidez” manteve-se o principal motivo para realização de IG (18 079 IG, correspondentes a 97,2% do total de IG). O segundo motivo mais frequente manteve-se “grave doença ou malformação congénita do nascituro” (433 IG, 2,3%)", avançou a autoridade de saúde.
A taxa bruta do total de IG registadas na população feminina em idade fértil (15-49 anos de idade) foi de aproximadamente 830 IG por 100 000 mulheres, verificando-se um aumento de cerca de 4% relativamente a 2023.
A razão do total de IG registadas por nados-vivos foi de aproximadamente 220 IG por 1 000 nados-vivos, verificando-se um aumento de cerca de 6% relativamente a 2023.
32 estabelecimentos registaram a realização de IG “por opção da mulher” em 2024 (-1 estabelecimento em relação ao ano anterior). Destaca-se que, pela primeira vez, se iniciou a realização de IG no Litoral Alentejano e se retomou a atividade na região do Tâmega e Sousa.
A maioria das IG “por opção da mulher” foram registadas no setor público (67,6%) em 2024. Relativamente a 2023, a percentagem de procedimentos registados no privado diminuiu, em 0,9 pontos percentuais.
A maioria das mulheres recorreu a IG por iniciativa própria (“por opção”), utilizando a possibilidade de acesso direto ao estabelecimento de saúde onde se realizou a IG (53,9%), mantendo-se a tendência dos últimos anos.
Nos últimos dois anos, a percentagem de IG encaminhadas por hospitais públicos e registadas em instituições privadas foi, em média, superior à verificada nos dois anos anteriores.
Quanto ao método utilizado para interromper a gravidez, a maioria das IG “por opção da mulher” foram realizadas através do método medicamentoso (77,5%).
Tal como em anos anteriores, existem diferenças quantos aos métodos maioritariamente usados para a realização da IG, no setor privado e no setor público.
Nos estabelecimentos do setor público, prevalece o método medicamentoso (97,7% das IG “por opção da mulher”).
No setor privado, em 2024, 64,7% das IG “por opção da mulher” foram realizadas através do método cirúrgico - o valor mais baixo registado, com uma diminuição de 16,9 pontos percentuais relativamente a 2023.
A média dos tempos de espera para a consulta prévia nas IG “por opção da mulher” foi de 2,8 dias, com uma mediana de 1 dia. No que diz respeito à média dos tempos de espera entre a consulta prévia e o momento da realização da IG “por opção da mulher”, este foi de 6,2 dias, com uma mediana de 6 dias.
Ao longo dos anos, regista-se estabilidade na média das idades gestacionais de realização de IG, que se mantém nas 7 semanas.
90,4% das mulheres que realizaram IG “por opção da mulher” escolheram, posteriormente, um método contracetivo (um aumento de 0,4 pontos percentuais em relação a 2023). 36% das mulheres escolheram um método de longa duração (dispositivo intrauterino (DIU), implante hormonal subcutâneo ou laqueação de trompas), o que constituiu um aumento de 0,2 pontos percentuais relativamente a 2023.
Em 2024, a taxa de IG “por opção da mulher” foi mais elevada no grupo etário dos 20-24 anos (1 633 IG por 100 000 mulheres) e mais baixa no grupo dos 40-49 anos (157 IG por 100 000 mulheres).
Segundo a Direção-Geral da Saúde, em 2024, 39,6% das IG “por opção da mulher” foram realizadas em mulheres de nacionalidade não portuguesa. Nos últimos 5 anos, globalmente, observa-se um aumento da proporção de mulheres não portuguesas no total de IG realizadas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt