Credenciais de médico usadas para aceder ilegalmente a dezenas de processos clínicos de crianças de várias zonas do País
Credenciais de médico do centro de saúde de Miranda do Corvo terá acedido a processos no portal SNS24. SPMS não comenta casos concretos relacionados com cibersegurança.
Dezenas de pais das regiões centro e norte do País estão a denunciar acessos indevidos aos processos clínicos de menores no portal SNS24. Ao CM chegaram várias denúncias de que os dados dos utentes menores foram acedidos por um médico do Centro de Saúde de Miranda do Corvo nas últimas 48 horas. Nas redes sociais multiplicam-se as queixas, sendo que os utentes frisam que nunca foram àquela unidade de saúde.
Ao CM, o centro de saúde de Miranda do Corvo reconhece ter recebido "dezenas de chamadas de todo o País" desde quinta-feira, e que tem aconselhado as pessoas a fazer queixa nas autoridades. O médico cujas credenciais surgem no portal SNS24 dos utentes em causa já não trabalha naquela unidade de saúde há vários anos. Poderá tratar-se de uma situação de roubo de credenciais do médico, com acesso indevido ao sistema informático do SNS da parte de hackers.
Ao CM, a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) responde que "não comenta casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança" e que a proteção dos acessos digitais depende muito da adoção de boas práticas de cibersegurança por parte de todos os utilizadores, sejam eles profissionais ou utentes". O CM pediu esclarecimentos à Entidade Reguladora da Saúde, sobre se recebeu queixas relativas a este assunto, estando a aguardar resposta.
Ordem alerta para possível falha de cibersegurança
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, afirmou que a Ordem recebeu na quinta-feira à noite "um aviso" sobre esta situação, tendo desenvolvido procedimentos internos para tentar averiguar se se tratava de "um ato de má conduta deontológica". No entanto, Carlos Cortes explica que, esta manhã de sexta-feira, percebeu-se que, à partida, estará em causa uma falha informática e uma "usurpação" das credenciais antigas do profissional de saúde.
O bastonário alertou ainda para o facto de também existirem processos de adultos visados na situação e não apenas menores. "O Ministério da Saúde tem claramente que explicar a situação e dar segurança às pessoas para que a situação seja corrigida e não volte a acontecer", afirmou Carlos Cortes.
A Ordem dos Médicos encaminhou o processo para o Ministério Público.
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