Adiado protesto contra construção de hotel de luxo no Quartel da Graça em Lisboa
Evento "foi adiado por causa do alerta meteorológico", nova data irá ser comunicada "assim que possível", diz fonte da organização.
O protesto contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça, em Lisboa, que iria decorrer este sábado à tarde com fados em frente ao edifício público foi cancelado devido à previsão de chuva e vento forte.
Segundo adiantou este sábado à Lusa fonte da organização, o evento 'Há fado no coreto' "foi adiado por causa do alerta meteorológico", acrescentando que "nova data" irá ser comunicada "assim que possível".
O distrito de Lisboa está este sábado sob aviso amarelo devido à previsão de chuva forte, acompanhada de trovoada e vento forte, segundo o Instituto do Mar e da Atmosfera.
O protesto foi agendado pela assembleia de cidadãos contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça, que embora reconheça que "não vai ser fácil" travar o projeto do grupo hoteleiro Sana, reforçou que a assembleia de cidadãos vai "tentar até o fim".
"Vamos este sábado propor um concerto de fados para juntar assim a população da Graça, e de outros bairros também, e sensibilizar as pessoas sobre o tema da construção do hotel no Quartel da Graça", afirmou inicialmente Chiara Moneta, da assembleia de cidadãos "Parar o Hotel no Quartel da Graça", esperando "muita gente".
Em declarações à agência Lusa na véspera do evento, Chiara Moneta defendeu ser preciso continuar a lutar contra a construção do hotel, apesar do início das obras em março, "com muito atraso" face aos prazos previstos no contrato de concessão do Quartel da Graça, em que se previa a abertura da unidade hoteleira no final de 2022.
"A última coisa que queremos é que seja um hotel [...] há muitos hotéis na cidade e o nosso bairro, em particular, já está estrangulado para o turismo", disse.
Chiara Moneta afirmou que o Quartel da Graça "é um espaço enorme" e que deve ser destinado à comunidade, inclusive com habitação e oficinas para atividades, defendendo uma experiência de democracia direta para "um modelo de cidade diferente, que seja mais habitável, mais viva e mais comunitária".
O protesto iria decorrer no Largo da Graça, onde se previa uma tarde de fados, nomeadamente com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente, segundo a assembleia "Parar o Hotel no Quartel da Graça", que criou uma petição pública em maio de 2025 e conta já com mais de 4.500 assinaturas.
O presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, André Biveti (PS), disse à Lusa estar "100% de acordo" com as reivindicações do movimento de cidadãos contra o hotel no Quartel da Graça, referindo que há um apoio institucional e logístico à iniciativa de protesto, como licenciamento e equipamento de som.
Para o socialista, é preciso "repensar" o uso do Quartel da Graça, até considerando "o incumprimento do contrato" de concessão, estando a junta a avaliar a situação, inclusive se o motivo é imputável ao grupo Sana, para avançar com "uma providência cautelar para que o hotel não avance".
Tal como reivindica a assembleia de cidadãos, André Biveti quer que o Quartel da Graça tenha "outra finalidade, que não seja um hotel, mas sim um equipamento público".
Classificado como monumento nacional desde 1910, o Quartel da Graça integra a lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentado em 2019 pelo então Governo do PS, que atribuiu a concessão ao grupo Sana, por um período de 50 anos, com uma renda anual de 1,79 milhões de euros, para a instalação de um hotel de cinco estrelas, com 120 quartos.
O investimento estimado para a instalação do hotel foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022, prazo que não foi cumprido, até porque a obra de construção apenas arrancou este ano de 2026.
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