Agência Portuguesa do Ambiente garante que Espanha "não vai enviar muita água" para Portugal este fim-de-semana
Responsável pela APA alertou ainda que nos dias 02 e 03 de fevereiro a amplitude das marés será "mais alta", sendo essencial nessas datas conseguir baixar o caudal do Rio Douro.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) garantiu este sábado que houve uma "boa articulação" com Espanha e que o país "não vai enviar muita água" para Portugal, nomeadamente através dos rios Tejo e Douro.
"Espanha, no Rio Tejo, neste fim-de-semana, não vai enviar muita água para Portugal, não vai lançar grandes caudais para Portugal. É nos dado uma oportunidade para poder gerir o Tejo português - que é no Zêzere - e abaixar as barragens do Zêzere para minimizar a cheias (...)e no Douro igual", avançou hoje José Pimenta Machado.
O responsável falava aos jornalistas à margem de uma ativação da APA sobre biorresíduos em Matosinhos e considerou que no Rio Douro "correu tudo muito bem" nos últimos dias.
"Em Porto e Gaia fizemos esta boa articulação de Espanha e com os municípios e as coisas correram bem. Conseguimos controlar e evitar que o Douro tivesse um caudal muito elevado quando a maré é muito alta, já que sabemos que quando a maré é muito alta, o rio tem dificuldade de entrar no mar, provocando cheias", acrescentou.
O responsável pela APA alertou ainda que nos dias 02 e 03 de fevereiro a amplitude das marés será "mais alta", sendo essencial nessas datas conseguir baixar o caudal do Rio Douro.
"Portanto, é um trabalho de grande articulação, de muita complexidade, mas estamos confiantes que aqui no Douro vamos conseguir, mas obviamente risco zero não existe", ressalvou.
José Pimenta Machado voltou a explicar que, durante este fim-de-semana, estão a ser feitas descargas para preparar as albufeiras para os dias de muita chuva que se avizinham e que colocam em risco toda a zona do "Mondego, bacia do Vouga, Águeda", mas também "o Porto, toda a Bacia do Douro e Tâmega, e a Bacia do Cavado do Minho e Lima".
Reforçou que se segue "uma semana muito difícil" e que está a ser feita uma gestão "de hora a hora e de minuto a minuto".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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