Alcoutim olha com preocupação para rio que mantém nível controlado

Volume de água do rio Guadiana pode chegar das barragens a montante.

05 de fevereiro de 2026 às 17:58
Várias áreas continuam inundadas em Alcoutim junto ao rio Guadiana Foto: LUÍS FORRA/LUSA
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Alcoutim olha para o rio Guadiana com preocupação pelo volume de água que pode chegar das barragens a montante, mas com o alívio por ter parado de chover e a situação estar controlada para a preia-mar da tarde.

De acordo com o coordenador da Proteção Civil Municipal, João Simões, que falou à agência Lusa na zona baixa da localidade de Alcoutim, onde o rio inundou uma área de parque de estacionamento, a principal preocupação são agora as precipitações previstas para sábado, depois desta quinta-feira de manhã ter parado de chover.

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"Não vai passar daqui, está controlado", afirmou João Simões sobre a possibilidade de o rio ainda crescer mais e chegar às casas nas próximas horas, até porque está também construída uma barreira de areia para evitar que a água entre na área urbana da localidade.

A água cobriu a zona de um parque de estacionamento, onde está uma estátua de Bordalo II e um pequeno estabelecimento comercial, mas não há receio de que, com a preia-mar prevista para as 17h30, a água suba mais e possa ameaçar mais bens ou locais.

Sem chuva, a tendência é para que desça, embora João Simões tenha salientado que a descida do nível do rio tem-se notado "muito pouco" durante a baixa-mar e as barragens de Alqueva e Pedrógão continuam a fazer descargas, assim como a de Chança, localizada na foz da ribeira homónima, que separa Espanha de Portugal, na zona de Pomarão (Mértola).

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"Na maré baixa, desceu 20 centímetros, não mais. E depois, com o incremento da preia-mar, subiu um metro. Hoje já desceu um bocadinho, mas não compensou", referiu.

A principal preocupação é "o que está previsto para sábado", com "nova precipitação intensa a montante do Alqueva" e que pode levar a novas descargas, porque, para já, "a tendência é para ir baixando", acrescentou.

Enquanto João Simões falava com a Lusa, várias dezenas de pessoas assistiam, a partir da zona mais alta da baixa de Alcoutim, ao trabalho de vigilância que a Proteção Civil e a Autoridade Marítima fazem no rio, onde a forte corrente pode pôr embarcações em dificuldade, obrigando os operacionais a intervir, como aconteceu já em 14 casos, notou.

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Entre essas pessoas estava António Pereira, de 84 anos, natural de Alcoutim, que já viu o rio "crescer muito mais acima" do que está esta quinta-feira, chegando até à praça da República, vários metros acima do nível atual.

"Antigamente não havia barragens e isso acontecia, lembro-me de ver o rio até ali acima, até amarravam ali alguns barcos", recordou, referindo-se a uma área em núcleo urbano central de Alcoutim.

Fernando Frederico, 74 anos, também se encontrava no local e contou à Lusa que a inundação que se verifica esta quinta-feira "não tem nada a ver com o chegava a acontecer" no passado.

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"A água chegava bem mais acima. Em comparação com esse tempo, isto não é nada", considerou.

Ambos reconheceram, contudo, que esta subida do rio já não se via "há muitos anos" e agora resta aguardar que a chuva e as descargas das barragens não elevem mais o nível do rio, embora as previsões apontem para um novo aumento da precipitação no sábado.

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