Altice quer saída de gestores ligados a Armando Pereira

Altice e MEO já são assistentes no processo em investigação.

28 de outubro de 2023 às 01:30
Altice Foto: Pedro Catarino
Armando Pereira ao lado de Alexandre Fonseca

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A Altice Portugal quer a saída de administradores e altos quadros ligados ao milionário Armando Pereira, cofundador da Altice e suspeito de corrupção no processo ‘Operação Picoas’. A empresa liderada por Ana Figueiredo está a preparar o processo de rescisão - por mútuo acordo - com uma dezena de quadros de topo, a maioria deles diretores ligados à área das compras, revelou o ‘Expresso’.

O inquérito, que investiga uma teia de corrupção envolvendo os fornecedores da Altice, atingiu o coração do grupo e provocou danos na imagem da empresa. A Altice quer agora “evitar mais desgaste na reputação”, segundo garantiram fontes ao CM. Para a Altice, segundo apurou o CM, é indiferente se os visados já foram ou não constituídos arguidos no processo. O caso rebentou em julho e levou à detenção de Armando Pereira e do seu amigo e braço-direito, Hernâni Vaz Antunes. Vários quadros da empresa suspenderam funções nessa altura.

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Alexandre Fonseca, antigo presidente da comissão executiva da Altice Portugal e ‘chairman’ da Altice USA, foi alvo de buscas por suspeitas de recebimento indevido de vantagens relativo a alegados serviços fictícios. Terão sido prestados às empresas de Armando Pereira. Alexandre Fonseca ainda não terá sido constituído arguido. Também André Figueiredo, o seu chefe de gabinete, e João Zúquete da Silva, administrador para a área de ‘corporate’ da operação portuguesa, suspenderam funções e estarão também na lista negra da empresa.

A Altice e a Meo já se constituíram assistentes no processo, contra a vontade de Armando e Hernâni Vaz Antunes, e deverão ter em breve acesso ao conteúdo da investigação. Também a nível interno decorrem diligências para apurar responsabilidades. Em causa, diz o Ministério Público, está uma “viciação do processo decisório do Grupo Altice, em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias empresas daquele grupo e da concorrência”, que apontam para corrupção ativa e passiva.

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E TAMBÉM

Pelo menos uma dezena de carros de luxo, que já tinham sido arrestados a Hernâni Vaz Antunes, já foram levados da sua casa, em Braga. Ao todo são 18. Também 14 automóveis de Armando Pereira estão à ordem do processo e devem ser removidos em breve. Os 32 carros e modelos exclusivos estão avaliados em 20 milhões.

Negócios de milhões

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As empresas de Hernâni ganharam mais de 600 milhões com a Altice, alegadamente com a ajuda do amigo Armando, acionista da empresa.

Altice não comenta caso

Questionada ontem pelo Correio da Manhã, a Altice Portugal recusou comentar o caso. Também não respondeu às questões enviadas pelo CM. O ‘Expresso’ adianta ainda que de saída do grupo está também Alcino Lavrador, quadro histórico da operadora e líder da Altice Labs, empresa da área da inovação.

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