Alunos de 2026 podem ser ultrapassados pelos que fizeram exames até 2022
Estudantes com as mesmas notas passam à frente, porque modelo de acesso ao superior mudou e Governo não fez despacho para proteger alunos deste ano.
Os alunos que se candidatam ao ensino superior este ano podem ser ultrapassados por outros com as mesmas notas que tenham realizado as provas até 2022, e que decidam candidatar-se este ano – os exames são válidos para candidaturas no ano em que são feitos e nos quatro seguintes. Em causa estão alterações ao modelo de acesso ao ensino superior, seja na percentagem atribuída aos exames, seja no cálculo da média do secundário, que faz com que cada disciplina seja ponderada ao número de anos de frequência para a média interna, denuncia Eduardo Filho, da Inspiring Future.
“Português valia um nono e agora vale 3/19 avos. É preciso um despacho da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) a dizer que quando os alunos dos anos anteriores vão buscar as fichas ENES às escolas para se candidatarem ao superior tem de ser feito um recálculo com base no novo modelo de acesso”, afirmou ao CM o presidente desta associação sem fins lucrativos que apoia os alunos nas candidaturas ao superior, e que garante ter alertado a secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, e o presidente do Instituto para o Ensino Superior, Joaquim Mourato, numa reunião em janeiro, sem qualquer resultado.
"Nas simulações que fizemos, um aluno de 2022 com as mesmas notas pode ter mais 1,2 valores na média de acesso do que um de 2026”, disse. O CM confrontou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação e não obteve resposta.
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