Animais selvagens entram nas cidades vazias devido a pandemia de coronavírus
Bichos são atraídos pela cidade, agora completamente deserta. Maior parte procura fontes alternativas de comida.
Com o confinamento das famílias e a cessação do bulício dos carros, do comércio e de outras atividades económicas, um silêncio nunca antes visto abateu-se sobre as cidades, convertendo-as em território apetecível para os animais selvagens. "Eles estiveram sempre por perto, mas não os víamos e, principalmente, não os ouvíamos", confirma Nuno Gomes Oliveira, presidente da direção do FAPAS - Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens.
"Estamos a falar de melros, pintassilgos, toutinegras, águias de asa-redonda, pombos torcazes, rabirruivos, que agora vimos mais. Depois há aqueles que viviam à beira das cidades e agora, com elas vazias, se aproximam mais. Não me admira que possamos ver javalis ou raposas, que até costumam vir roubar os restos dos piqueniques - em Lisboa existem em Monsanto e no Porto junto à ponte da Arrábida - e agora terão tendência a entrar mais na cidade, porque está vazia", confirma.
Vêm essencialmente "em busca de comida", sendo um movimento de expansão natural das espécies. Problema inverso terão os animais selvagens que habitualmente se alimentam nas cidades, como os pombos ou os gatos de rua.
"Os pombos não terão grandes problemas, pois se não encontrarem comida nas cidades facilmente voam para o campo onde encontram alimento. Já os gatos são um verdadeiro problema para a biodiversidade das cidades. As pessoas continuam a alimentar as colónias de rua, mas estes animais comem todas as espécies que lhes aparecem, desde pequenos pássaros a répteis", avisa o atual presidente do FAPAS.
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