Pedro Brás presta auxílio a profissionais de saúde em tempos de crise sanitária.
O psicoterapeuta Pedro Brás, fundador da Clínica da Mente, criou uma consulta gratuita de intervenção em crise psicológica, por videochamada, onde presta apoio psicológico a profissionais de Saúde e outras profissões essenciais para que consigam "gerir da melhor forma todas as dificuldades".
CM - O que sentem os profissionais de Saúde nesta altura?
- Os profissionais de Saúde estão na linha da frente desta crise sanitária e vivem tão de perto com esta doença que o medo toma conta do seu bem estar psicológico. Infelizmente, muitos têm morrido, ou sido infetados, e sabem que podem transmiti-la aos seus contactos sociais. Um segundo fator é saber o que aí vem. A China, Itália e Espanha, estão adiantados: falta de ventiladores, inúmeras mortes, decisões difíceis. Isso cria frustração e medo antecipados. Sabem que todos serão poucos, que vão dar tudo o que podem, sabendo que tudo será muito pouco.
- Muitos estão afastados dos familiares, o que deve ser debilitante.
- O medo de transmitir a doença aos familiares e amigos está a criar autoisolamento social. Alguns médicos que atendi alugaram apartamentos para não colocar a família em perigo. Sabem que pode durar três a quatro meses e estar longe dos filhos e restante
família é doloroso emocionalmente. Vale-lhes o espírito de missão que têm! Sabem que o povo espera que eles sejam os seus heróis e sinto que todos estão prontos para esta tarefa nunca antes vivida.
- Como podem aceder a este apoio?
- No site: https://www.clinicadamente.com/covid19-consultas-de-intervencao-em-crise-online/ ou através do telefone 220933536.
O MEU CASO
Mafalda Frazão Campos
"Começámos a ajudar animais"
Mafalda Frazão Campos é presidente do Movimento Movido a 4 patas, que tem estado a ajudar quem já não pode (ou não deve, por ser de um grupo de risco) sair à rua e tratar dos seus animais.
"Vimos o que foi acontecendo noutros países, desde donos que adoeciam e não podiam tratar dos seus animais ou pessoas que ficavam em virtude das suas limitações (idade, doença) incapacitadas de continuar a fazê-lo. Como associação chegaram-nos notícias de particulares e associações que nos alertaram no final de fevereiro para a necessidade de ser criada uma base de dados para gerir passeios e alimentação de animais próprios, errantes ou de rua. Havia, por exemplo, muitos idosos que alimentavam sozinhos colónias de gatos de rua, por exemplo", explica ao CM
Depois, criaram também uma Base de Dados de Voluntários, e viram-se a ajudar também pessoas. "Não podíamos esquecer as necessidades de animais e pessoas, nomeadamente famílias carenciadas e idosos com animais. Em Lisboa, começámos a apoiar uma senhora de 93 anos que vive sozinha com os gatos e tinha como única ajuda uma pessoa que é doente oncológica e que agora não pode continuar a dar-lhe apoio", revela.
Mafalda teme que o pior esteja para vir: "Os rendimentos vão diminuir, o que deixará em risco muitos animais. Na Alemanha as autoridades começaram a alimentar os pombos, pois com a restauração fechada começaram a aparecer mortos. Por cá, poderemos deparar-nos com uma dizimação gigantesca de muitas espécies. E, claro, tememos o abandono, por razões económicas", lamenta.
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