Associação alerta para falta de respostas para vítimas de danos cerebrais adquiridos

Quase metade dos casos de DCA tem origem em acidentes de viação, seguindo-se as quedas e os AVC.

11 de março de 2026 às 19:41
Associação alerta para falta de respostas para vítimas de danos cerebrais adquiridos Foto: ESTELA SILVA/LUSA
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A associação Novamente, que apoia vítimas de danos cerebrais adquiridos (DCA), alertou esta quarta-feira para a necessidade de uma rede de respostas na comunidade, alegando que a sua falta torna a reabilitação um "processo difícil e solitário".

"Falta criar um percurso integrado pós DCA e definir um verdadeiro estatuto funcional do gestor de família do DCA, com rede de respostas na comunidade. Trata-se de um problema de saúde pública que urge ser tratado com prioridade e de forma estruturada", salientou Vera Bonvalot, diretora executiva da Novamente criada em 2010.

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Dados esta quarta-feira divulgados pela Novamente em comunicado enviado à Lusa, relativos a pessoas que acompanha desde 2010, mostram que quase metade dos casos (46%) de DCA tem origem em acidentes de viação -- de carro, de mota ou atropelamentos -- seguindo-se as quedas (23,3%) e os AVC (11,9%).

Cerca de metade destes casos aconteceram a pessoas com idades entre os 30 e os 50 anos, cujas vidas ficam “transformadas para sempre, com impacto no emprego, na família e no convívio com os amigos”, realçou a associação, alertando que, contudo, esta realidade está a mudar.

Isto porque o número de casos por acidente vascular cerebral (AVC) que chegam à Novamente está a aumentar, referiu no comunicado, adiantando que, só em janeiro deste ano, são mais de 50% dos novos casos atendidos com essa origem.

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Segundo Vera Bonvalot, por detrás dos dados sobre o número de casos está uma “realidade crua e silenciosa de pessoas ativas, independentes, com rotinas, responsabilidades e sonhos” que, de repente, são confrontadas com um dano cerebral adquirido.

“Não é uma estatística distante. Pode acontecer a qualquer um, a qualquer momento. E continua a acontecer, todos os dias”, salientou a diretora executiva da associação, citada em comunicado.

De acordo com a associação, em causa está um “problema de saúde pública que urge ser tratado com prioridade e de forma estruturada” de modo a potenciar a prevenção, mas também para se conseguir que “não se perca a pessoa e a família e para que possam ser encaminhados para viverem a nova vida com qualidade”.

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Desde que foi criada, a Novamente já apoiou mais de 3.000 beneficiários, incluindo cuidadores e famílias, mas a “falta de recursos especializados inerentes à inexistência” de respostas públicas torna a “reabilitação das pessoas com DCA um processo difícil e solitário”, referiu.

A associação, que atua nas áreas do apoio psicossocial, integração e emprego e apoio a cuidadores e famílias, alegou que tem conseguido entregar um retorno económico significativo, já que cada euro investido resultou num retorno social e económico quase quatro vezes superior.

“Isto significa que, por cada euro investido, a Novamente gerou quase quatro euros em valor social e económico, reduzindo custos para famílias e para o sistema público de saúde e assistência”, realçou.

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A Novamente lamentou ainda que, apesar do número crescente de unidades de saúde privadas, a informação sistematizada sobre os casos de DCA tratados nesses contextos seja “praticamente inexistente”.

“Não há dados públicos, relatórios regulares ou sequer estimativas fiáveis”, adiantou a associação, para quem essa situação resulta “do facto de o setor privado da saúde operar sem que haja obrigação legal de reportar casos, muito menos de partilhar dados anonimizados com o sistema nacional”.

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