Associação pede que Governo revogue autorização de passagem da Volta a Portugal no Parque do Gerês
ASPA afirma que "passagem da Volta é uma violação grave do espírito da lei e constitui, ademais, um precedente incompatível com os princípios que presidiram à classificação do Parque Nacional".
A Associação de Defesa, Estudo e Divulgação do Património Natural (ASPA) pediu, esta quinta-feira, ao Governo a revogação da autorização da passagem da Volta a Portugal pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), considerando-a uma "violação grave do espírito da lei".
"Permitir a passagem da Volta [no PNPG] é uma violação grave do espírito da lei e constitui, ademais, um precedente incompatível com os princípios que presidiram à classificação do Parque Nacional", alerta a ASPA, com sede em Braga, num comunicado de imprensa.
A associação apela, por isso à ministra do Ambiente e Energia e ao ministro da Agricultura, que tutelam o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] "a revogação, ainda a tempo, do parecer e do despacho de autorização da passagem da Volta a Portugal pelo interior do PNPG".
"Recordamos que o percurso previsto atravessa a Mata e Albergaria [concelho de Terras de Bouro, Braga] e que esta é o núcleo ecológico mais sensível do PNPG e um dos espaços naturais de maior valor na conservação da biodiversidade em Portugal", sublinha.
Para a associação, "é em nome do ambiente natural da defesa do único Parque Nacional, das populações dos concelhos que nele residem, e da própria imagem da região e do país que a Volta não deve passar".
O ICNF disse na terça-feira à Lusa que condicionou a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na Mata da Albergaria, no Gerês, "a fortes medidas de proteção da biodiversidade", como a interdição ao público.
A 7.º etapa da 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, agendada para 13 de agosto, atravessa o PNPG.
A ASPA assinala que uma caravana ciclista constituída, por bicicletas, "inúmeros carros de apoio e outros veículos motorizados das equipas, da comunicação social, das forças de segurança, dos juízes e da prova, além das ambulâncias e serviços médicos, dos carros e helicópteros das televisões e da caravana publicitária, constitui uma enorme perturbação".
Tal terá consequências "no equilíbrio entre a fauna e a flora, num espaço ambiental único, preservado e protegido por lei", avisam.
"Interrogamo-nos sobre o modo como o ICNF I.P controlará todo o tráfego, de acordo com o parecer que elaborou, e como poderá impedir a circulação de pessoas, como sustenta", afirma a ASPA.
A associação considera que "a alegada promoção turística do PNPG que se pretende com este evento constitui um argumento falacioso".
"O Parque será tanto mais conhecido e valorizado quanto mais protegido. A turistificação de massas, que alguns pretendem, terá um efeito catastrófico e será o fim da classificação do Parque", sustentam.
Já o turismo da natureza, "que protege a natureza e promove a prosperidade das populações residentes, exige contenção, rigor e um justo equilíbrio".
A ASPA diz ter sido com "perplexidade" que conheceu o parecer favorável do ICNF "à passagem da Volta a Portugal no coração do PNPG", lembrando que a Mata da Albergaria "está classificada, pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu e integra as Reservas da Bioesfera da UNESCO".
A associação sustenta que o parecer "não respeita a classificação do Parque Nacional, bem como o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro".
Por outro lado, desrespeita "os compromissos internacionais assumidos por Portugal relativamente à proteção da biodiversidade e à conservação de habitats".
Na resposta dada à Lusa na terça-feira, o ICNF explica que a autorização para a realização da etapa foi acompanhada por medidas para minimizar a perturbação, "nomeadamente a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável, a interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural"
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