Associação Zero apela para presença do Governo em conferência sobre fim dos combustíveis fósseis

Zero considera que a "elevada dependência" de importações de combustíveis fósseis expõe o país à volatilidade dos preços internacionais do petróleo e do gás.

01 de abril de 2026 às 08:27
Maria da Graça Carvalho Foto: Pedro Catarino
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A associação ambientalista Zero apelou esta quarta-feira à participação da ministra do Ambiente na conferência sobre o fim dos combustíveis fósseis marcada para este mês na Colômbia, apontando que para Portugal a transição energética "assume uma relevância estratégica crucial".

Entre os dias 24 e 29, em Santa Marta, na Colômbia, realiza-se a primeira Conferência Internacional sobre a Transição Justa para o Fim dos Combustíveis Fósseis, organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos.

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A iniciativa foi anunciada durante a conferência da ONU sobre o clima que se realizou em novembro do ano passado em Belém, Brasil, depois de nessa reunião, a COP30, não se ter chegado a um texto de consenso sobre o fim dos combustíveis fósseis. A Zero refere, em comunicado, que países como Espanha e França já confirmaram a presença ao mais alto nível.

Como esses países, diz a associação, Portugal "deve assegurar uma representação ao nível ministerial", até porque a conferência, numa altura de agravamento dos impactos climáticos, instabilidade geopolítica e fragmentação internacional, "representa uma oportunidade decisiva para definir o rumo global para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, de forma justa e devidamente financiada".

A Zero salienta a importância da transição energética para Portugal, considerando que a "elevada dependência" de importações de combustíveis fósseis expõe o país à volatilidade dos preços internacionais do petróleo e do gás, com impactos diretos na economia e no custo de vida.

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Pelo que, acrescenta, o país tem toda a vantagem em acelerar o abandono dos combustíveis fósseis.

A conferência surge como "um passo determinante" por parte de um conjunto de países com elevada ambição climática, incluindo Portugal, e é "um momento crítico para transformar compromissos políticos em ações efetivas", diz a Zero.

"A participação de altos representantes governamentais é, por isso, essencial para garantir a relevância política das decisões a tomar", conclui.

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A Zero assegura que se Portugal não for representado por responsáveis políticos, será "um sinal negativo" e enfraquece não só a posição nacional, como também a capacidade da União Europeia de afirmar uma visão ambiciosa e coerente nesta matéria.

Um roteiro global para o fim dos combustíveis fósseis deve assentar em três pilares: ultrapassar a dependência económica, transformar os padrões de oferta e procura e fazer avançar a cooperação internacional e a diplomacia climática, considera a Zero.

Na segunda-feira o Governo colombiano anunciou que 45 países já confirmaram a presença na conferência, um deles Portugal (mas não representado pela ministra). Também estarão presentes mais de 2.500 organizações e comunidades.

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O objetivo da Conferência é iniciar um processo através do qual uma coligação de países empenhados, governos subnacionais e partes interessadas relevantes possa identificar e promover caminhos que possibilitem a implementação de uma transição progressiva para longe dos combustíveis fósseis, criando sociedades e economias sustentáveis.

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