Associações de estudantes dos politécnicos descontentes com regime jurídico do ensino superior

Novo regime jurídico define as regras que vão passar a reger as instituições de ensino superior em Portugal, prevendo "universidades politécnicas".

09 de maio de 2026 às 18:16
Ensino superior Foto: Direitos Reservados
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As associações de estudantes do ensino superior politécnico manifestaram esta sexta-feira o seu descontentamento com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), alegando que essa legislação não pode servir para desvirtuar o subsistema politécnico.

O RJIES, que foi esta sexta-feira aprovado na Assembleia da República, "não pode servir para descaracterizar a missão do subsistema politécnico nem para silenciar as vozes dos estudantes", alertou a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) em comunicado.

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O novo regime jurídico define as regras que vão passar a reger as instituições de ensino superior em Portugal, prevendo "universidades politécnicas", assim como apenas a existência da figura de "reitor".

O anterior regime é agora substituído por um novo modelo que vem dar mais autonomia às instituições para tomar medidas de gestão corrente, mas também diversificar a sua oferta formativa, flexibilizando os processos de fusão entre instituições.

Passa assim a ser possível a fusão entre universidades e politécnicos e até a integração de instituições privadas em públicas.

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A FNAEESP alertou que o regime jurídico, ao permitir que as universidades lecionem Cursos de Ensino Superior de Curta Duração (CTeSP), orientados para a especialização profissional, não está a criar um sistema binário flexível, mas sim a ir contra a definição das instituições de natureza universitária.

"Defendemos, portanto, que estes cursos devam ser exclusivamente lecionados no subsistema politécnico, dada a sua ligação com o tecido económico e regional", salientaram as associações de estudantes dos politécnicos.

Já sobre a fusão e integração de instituições de ensino superior (IES), a federação avisou que, apesar de parecer uma forma de racionalizar recursos, pode "levar ao encerramento de instituições, sobretudo em regiões de menor densidade populacional".

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"Apesar da autonomia das IES ser essencial para garantir a inovação e qualidade das mesmas, é indispensável uma coordenação nacional eficaz para evitar fragmentação e concorrência desnecessária", salientou o comunicado.

As associações defenderam ainda ser "crucial" uma revisão da Lei de Bases de Financiamento do Ensino Superior, que preveja uma fórmula igual para todas as instituições, com o objetivo de evitar que os politécnicos "tenham a tentação de transitar" para o subsistema universitário apenas para procurarem maior financiamento estatal.

No que diz respeito aos novos estatutos, a FNAEESP defendeu um aumento da representação estudantil, sem a "criação de maiorias artificiais", alertando que estes equilíbrios em relação ao peso dos docentes "são essenciais para garantir que o processo de revisão estatutária decorra num quadro verdadeiramente plural, participado e democraticamente legitimado".

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As novas regras entram em vigor um mês após a sua publicação, "salvo no que depender da aprovação dos novos estatutos das instituições de ensino superior e da entrada em funcionamento dos novos órgãos", lê-se no diploma esta sexta-feira aprovado, que define que a lei será alvo de avaliação dentro de cinco anos.

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