Aumento da compensação por despedimento tem "impacto negativo nas empresas"

Frente Comum convocou uma greve nacional para 18 de novembro para contestar as medidas de valorização salarial.

24 de outubro de 2022 às 13:33
frente comum, sindicatos, manifestação, protesto Foto: Direitos Reservados
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A Associação Industrial Portuguesa (AIP) considerou esta segunda-feira que o aumento da compensação pelo fim de contrato, de 12 para 14 dias, por despedimento coletivo ou extinção do posto de trabalho, tem "impacto negativo nas empresas".

Em causa está o acordo de médio prazo de melhoria dos rendimentos, salários e competitividade, assinado na Concertação Social e que será assinado esta segunda-feira, no Palácio Foz, em Lisboa, ficando de fora a estrutura sindical da CGTP, a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, que convocou uma greve nacional para o dia 18 de novembro para contestar as medidas de valorização salarial.

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Num documento enviado à comunicação social, relativamente apenas às medidas que se aplicam diretamente nas empresas, a Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI) considerou com impacto negativo nas empresas o "aumento da compensação por cessação de contrato de trabalho de 12 para 14 dias nas situações de despedimento coletivo ou extinção do posto de trabalho", o "aumento da remuneração por trabalho suplementar a partir das 100 horas com redução da taxa de RF de IRS para metade" e a "redução do limite máximo de 70% para 65% do lucro tributável na dedução dos prejuízos fiscais".

Por outro lado, como "medidas com impacto positivo e com alguma relevância", considerou o fim das contribuições para o FCT [Fundo de Compensação do Trabalho], e durante a vigência do acordo, a suspensão das contribuições mensais para o FGCT [Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho]", a "eliminação do limite temporal para dedução dos prejuízos fiscais", o "aumento dos limites da matéria coletável aos quais se aplica a taxa de 17% de IRC que passa de 25.000 euros para 50.000 euros, no caso das PME e alargamento às 'small mid caps'", e a "adoção de novas medidas no quadro da mitigação do aumento dos custos de energia para as famílias e para as empresas, num total de cerca de 3.000 milhões de euros".

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Já quanto à atualização do valor de isenção do subsídio de alimentação para 5,20 euros, a AIP-CCI considera que se trata de uma medida "com impacto positivo pouco relevante".

A aguardar clarificação, apontou a entidade, estão medidas como a redução seletiva de IRC para as empresas que invistam em Investigação e Desenvolvimento (I&D), a criação do Regime Geral de Taxas, a eliminação e simplificação de processos burocráticos no âmbito da Reforma dos Licenciamentos, ou a simplificação do regime que permite a regularização do IVA relativo a créditos de cobrança duvidosa.

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