Autarcas do Algarve revoltados com decisão dos CTT de reduzir horários em postos instalados em juntas de freguesia
Juntas alertam que valor pago pelos CTT não cobre os custos reais do serviço prestado às populações que vivem em zonas mais envelhecidas e ameaçam com ações de protesto.
Os CTT querem reduzir de forma drástica os horários de funcionamento dos postos que funcionam em instalações de juntas de freguesia no Algarve, sobretudo nas zonas mais envelhecidas e do interior da região. O conflito pode dar origem a ações de protesto.
Segundo o CM apurou, a maioria das juntas de freguesia contrataram trabalhadores especificamente para assegurar o serviço postal. Agora, com a imposição de redução do tempo laboral pelos CTT, os autarcas que assinaram acordos com a empresa veem-se obrigadas a manter os funcionários, mas recebendo verbas significativamente inferiores, uma vez que a comparticipação dos CTT está indexada ao horário praticado.
Nelson Frazão, coordenador da Delegação do Algarve da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), revelou ao CM que "o valor pago pelos CTT não cobre os custos do serviço prestado em cerca de 30 juntas de freguesia do Algarve, porque não paga sequer o ordenado do funcionário, nem água, luz, limpeza ou manutenção do espaço", alertando que os orçamentos das juntas já são limitados.
“Os CTT querem reduzir o horário do serviço prestado para três horas e meia e em alguns casos menos e só querem pagar por essas horas, mas as despesas que assumimos para prestar esse serviço são muito maiores", lamenta Nelson Frazão, que é presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, no concelho de Loulé.
No entende da Delegação do Algarve da ANAFRE, "os CTT revelam pouco respeito pelo serviço postal e pelas pessoas", considerando "inaceitável que uma empresa que apresenta lucros enormíssimos à custa da exploração do erário público, continue a desvalorizar o papel das freguesias”.
"Caso não sejam tomadas decisões justas e adequadas à realidade de cada freguesia, estamos preparados para tomar outras atitudes mais severas. Não excluímos nenhuma forma de protesto ou de luta em defesa das populações e da dignidade do poder local. O serviço postal é um serviço público essencial e não pode estar refém da lógica exclusiva do lucro", ameaça a Delegação do Algarve da ANAFRE.
Para já foram solicitadas, com caráter de urgência, reuniões entre a ANAFRE com a administração dos CTT, com a ANACOM e com os grupos parlamentares, mas o conflito parece não ter uma solução à vista.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt