Autarcas e moradores defendem "micro deslocação" de futuro aeroporto de Lisboa
Implantação do futuro aeroporto mais a oeste permitiria também concentrar a infraestrutura em solo público que está afeto a usos militares e aeronáuticos, referem subscritores.
Associações de moradores e juntas de freguesia dos concelhos de Benavente (Santarém), Palmela e Montijo (Setúbal) defendem uma "micro deslocação" da implantação do futuro aeroporto Luís de Camões, que permitirá reduzir custos, ruído e impactos ambientais.
Em comunicado, os subscritores da proposta - União de Freguesias de Pegões, União de Freguesias de Poceirão e Marateca, Associação dos Proprietários da Mata do Duque I, Associação de Moradores Mata do Duque II e Associação dos Proprietários e Moradores da Herdade do Zambujeiro - não contestam a decisão estratégica de construir o novo aeroporto em Alcochete, mas consideram que a localização das pistas deve ser reavaliada antes de serem tomadas decisões irreversíveis.
A proposta, que dizem ser suportada por estudos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e pela análise de entidades independentes, prevê uma "micro deslocalização" que aproxima o futuro aeroporto da pista militar que já existe no Campo de Tiro de Alcochete.
Além disso, a futura infraestrutura aeroportuária também ficaria mais próxima de Lisboa, entre cinco e sete quilómetros, permitindo uma redução de cerca de um milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) em 50 anos.
De acordo com os subscritores, a implantação do futuro aeroporto mais a oeste permitiria também concentrar a infraestrutura em solo público que está afeto a usos militares e aeronáuticos, reduzindo ou mesmo eliminando a necessidade de expropriações.
Por outro lado, iria evitar eventuais "intervenções dispendiosas e ambientalmente gravosas", como aterros ou desvio de linhas de água, que poderão vir a ser necessárias para corrigir a "vulnerabilidade hidrológica de parte da área atualmente prevista".
Os subscritores propõem ainda uma inversão das fases de construção, defendendo que a primeira fase seja implantada na zona mais próxima de Lisboa, reduzindo de forma significativa o impacto do ruído sobre as populações.
"Nesta implantação o impacto direto do ruído sobre as populações seria residual (menos do que 98% do que na situação atualmente proposta)", salientam os autarcas e os moradores, assegurando que a solução alternativa "salvaguarda melhor os interesses das populações e minimiza impactos desnecessários".
Em termos ambientais, os subscritores alegam que a deslocação das pistas permitiria afastar o aeroporto das zonas húmidas junto à Ribeira de Santo Estêvão, frequentadas por aves aquáticas provenientes da Estuário do Tejo, e garantem que a solução alternativa é que apresenta menor risco de colisão com aves e menor risco para a avifauna e preservação dos ecossistemas.
No comunicado, associaçoes de moradores e juntas de freguesia afirmam-se disponíveis para colaborar com a ANA - Aeroportos de Portugal e com o Governo.
"O país não pode fechar os olhos a uma alternativa tecnicamente fundamentada que reduz impactos sociais, ambientais e financeiros", salientam, considerando que "melhorar o projeto é torná-lo mais responsável, como é certamente o desejo de todos os envolvidos neste processo".
A proposta para mudar a localização das pistas do futuro aeroporto Luís de Camões, acrescentam, é uma "solução concreta, estudada e tecnicamente viável".
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