Autoridades europeias alertam para resistência antimicrobiana de bactérias como salmonela

Resistência em infeções por salmonela em humanos aumentou nos últimos anos, avisam as autoridades, sublinhando que esta tendência "é preocupante".

19 de fevereiro de 2026 às 11:45
Laboratórios Foto: Michal Jarmoluk/Pixabay
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O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos alertaram esta quinta-feira para a elevada resistência antimicrobiana de bactérias transmitidas por alimentos, como a salmonela.

Num relatório divulgado, ambas as autoridades apontam a "elevada proporção" de estirpes de campylobacter e salmonela, tanto em humanos como em animais, que continuam a apresentar resistência à ciprofloxacina, um antimicrobiano importante utilizado no tratamento de infeções graves.

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Embora a resistência da salmonela em animais destinados à alimentação tenha permanecido consistentemente elevada, a resistência em infeções por salmonela em humanos aumentou nos últimos anos, avisam as autoridades, sublinhando que esta tendência "é preocupante".

A resistência à ciprofloxacina "limita a eficácia das opções de tratamento disponíveis", insistem.

No caso da campylobacter, a resistência está agora tão disseminada na Europa que a ciprofloxacina já não é recomendada para o tratamento de infeções em seres humanos, refere a informação divulgada pelo ECDC, acrescentando que foram igualmente impostas restrições ao uso em animais para salvaguardar a eficácia contínua na medicina humana.

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A salmonela e a campylobacter estão entre as causas mais frequentes de doenças de origem alimentar. As infeções surgem geralmente após o consumo de carne, aves e ovos crus ou mal cozinhados, ou de leite não pasteurizado.

Em geral, para todas as espécies de salmonela foram observados valores atípicos de elevada proporção de resistência à ampicilina em Itália (41,8 %) e Portugal (45,1 %), às sulfonamidas em Itália (44,8 %) e à tetraciclina na Hungria (40,5 %), em Itália (46,2 %) e em Portugal (43,0 %).

Citado na informação divulgada, Piotr Kramarz, o cientista-chefe da ECDC, diz que a resistência antimicrobiana em bactérias comuns transmitidas por alimentos - como a salmonela e a campylobacter - mostra "as estreitas ligações entre os sistemas humanos, animais e alimentares" e defendeu a importância de uma forte abordagem One Health (uma só saúde).

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"Proteger a eficácia dos antimicrobianos requer uma ação coordenada através de uma abordagem One Health forte, porque a resistência antimicrobiana afeta-nos a todos", defende.

Em toda a Europa, uma elevada proporção de salmonela e campylobacter, tanto em seres humanos como em animais destinados à produção de alimentos, também apresenta resistência aos antimicrobianos mais utilizados, incluindo a ampicilina, as tetraciclinas e as sulfonamidas.

O ECDC avisa ainda que a deteção de bactérias E. coli produtoras de carbapenemase em animais destinados à produção de alimentos e na carne em vários países "requer especial atenção".

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Os carbapenemas são antimicrobianos de último recurso para seres humanos e não são autorizados para utilização em animais destinados à produção de alimentos.

Contudo, o centro europeu diz que o número de deteções comunicadas está a aumentar e que esta informação precisa de "uma investigação mais aprofundada".

As autoridades lembram que, embora a resistência aos antimicrobianos normalmente usados continue generalizada em bactérias transmitidas por alimentos, vários países relataram progresso na redução dos níveis de resistência em humanos e em animais destinados à produção de alimentos.

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"Vários países relataram uma diminuição da resistência a antimicrobianos específicos ao longo do tempo, demonstrando que esforços direcionados podem fazer a diferença", refere o documento.

No que diz respeito à salmonela, a resistência nos humanos à ampicilina e às tetraciclinas diminuiu significativamente nos últimos dez anos em 19 e 14 países, respetivamente.

Também foram identificadas tendências positivas nos animais destinados à produção de alimentos a nível da UE, com uma diminuição da resistência às tetraciclinas nos frangos de carne e à ampicilina e às tetraciclinas nos perus.

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No caso da campylobacter, a resistência à eritromicina - um tratamento de primeira linha para infeções por esta bactéria em seres humanos - diminuiu em vários países na última década, tanto em seres humanos como nalguns animais destinados à alimentação, refere o documento.

Além disso, o relatório refere que a resistência combinada a antimicrobianos de importância crítica, ou seja, a resistência a mais de um desses antimicrobianos ao mesmo tempo, permanece geralmente baixa em salmonela, campylobacter e E.coli.

Por fim, as autoridades alertam para o facto de as melhorias anteriores terem abrandado em algumas áreas, particularmente no que diz respeito à E. coli, cujos níveis de resistência a algumas substâncias nas aves de capoeira "estabilizaram, em vez de continuarem a diminuir".

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