Barragem obriga a construir nova aldeia no Alentejo

A nova aldeia do Pisão vai ser igual à que ficará submersa em 2029. O último caso ocorreu em 2002, com a aldeia da Luz.

02 de maio de 2026 às 01:30
Aldeia do Pisão, Alentejo Foto: Direitos Reservados
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Está em marcha a construção da nova aldeia do Pisão, no concelho do Crato, que ficará submersa pela água da barragem com o nome da terra, cuja conclusão está prevista para 2029. O novo povoado nascerá a menos de três quilómetros, com características muito idênticas ao atual. Ocupará oito hectares, com uma área habitacional de 9600 metros quadrados. A tipologias das casas variam entre T1 e T4, com áreas entre os 80 e os 150 metros quadrados, segundo o plano apresentado pelos responsáveis da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA). No total, está prevista a construção de 114 habitações. “A nova aldeia terá um enquadramento muito parecido. Houve a preocupação em respeitar, por exemplo, o posicionamento o sol perante a habitação que já existia. Também se procurou respeitar as relações de vizinhança”, explicou ao CM Joaquim Diogo, presidente da CIMAA. A nova aldeia contempla zonas de expansão, por forma a permitir a instalação de novos habitantes e reunirá um vasto conjunto de serviços: espaço multiusos extensão de Saúde, circuitos pedonais, miradouro, Multibanco. Mas não haverá um corte definitivo com o passado, já que o projeto prevê, além de um espaço de memória, elementos da velha aldeia, como a capela, por exemplo. O facto da aldeia do Pisão não ter cemitério nem monumentos, simplifica a tarefa, admite Joaquim Diogo.

Esta é a segunda aldeia, este século, a ficar submersa. O primeiro caso ocorreu em 2002, quando as águas do Alqueva engoliram a aldeia da Luz. Não foi um processo pacífico. Tal como a situação ocorrida em 1971, quando a barragem de Vilarinho das Furnas (Terras de Bouro), afundou a aldeia e um vasto património histórico. Anos antes, em 1954, a barragem do Cabril também deixou submersa a aldeia de Vilar (Pampilhosa da Serra). Nestes dois casos, os velhos povoados ‘regressam à superfície’ nos períodos de seca severa. Já a construção da barragem da Aguieira, em 1981, originou um cenário diferente. Aqui não foi uma aldeia que desapareceu, foram três: Breda, Foz do Dão e Aldeia Nova.

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