Bastonária nega prática de eutanásia no SNS
Declarações de Ana Rita Cavaco perante a Comissão de Saúde.
A bastonária da Ordem dos Enfermeiros nega ter dito que se praticava eutanásia no Serviço Nacional de Saúde, mas que a falta de enfermeiros põe em perigo a segurança dos doentes.
Ana Rita Cavaco, que falava na comissão parlamentar de Saúde, no âmbito de um requerimento do PS que pretendia esclarecer as declarações da bastonária que numa entrevista à Renascença terá dito que se praticava eutanásia no SNS.
"Não disse que os médicos e os enfermeiros ,matam pessoas no SNS. Mas a falta de enfermeiros põe em risco a vida das pessoas", afirmou aos deputados. E explicou que a eutanásia é tema de discussão nos corredores dos hospitais entre os profissionais de saúde,
A bastonária denunciou ainda que há empresas que contratam enfermeiros a três euros por hora, sem contudo revelar os nomes das mesmas.
"Há um conjunto de coisas que se passam na saúde e que têm de ser investigadas", disse aos jornalistas à margem da comissão. E continuou: "Sabemos os hospitais onde estão a ser feitas estas situações. Se estamos a permitir que essas empresas contratarem enfermeiros a pagar 3 euros à hora e o Estado a pagar milhões a essas empresas - e depois diz que não tem dinheiro para contratar mais enfermeiros - há aqui uma contradição", afirmou.
Ana Rita Cavaco quis ainda deixar como mensagem que "os enfermeiros estão exaustos" e que o "SNS está em risco por falta de enfermeiros".
"Há muita gente com interesses na saúde", disse a bastonária que revelou ainda que em conjunto com a Ordem dos Médicos vão requerer ao IGAS inspecção a unidades onde suspeitam que não há o número de enfermeiros suficientes. Já foi entregue uma lista ao IGAS e trata-se de unidade de saúde de Norte a Sul, públicos e privados.
A bastonária deu alguns exemplos. Numa unidade pediátrica de um hospital de Lisboa com 8 crianças, há um enfermeiro; numa unidade de doentes agudos, com 80 camas, há dois enfermeiros, em Faro, numa unidade oncológica com 40 camas há 4 enfermeiros.
"De acordo com um estudo de 2014, por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro, a mortalidade aumenta em 7 por cento. Já em 2016, um outro estudo dava conta de que nos casos em que um enfermeiro tem 6 pessoas a cargo, a moralidade reduz-se em 20 por cento".
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