Boicote às horas extra na Justiça
Funcionários judiciais ameaçam não trabalhar para além do horário.
Os funcionários judiciais ameaçam trabalhar apenas as 35 horas semanais do horário se o Ministério da Justiça não ceder às suas reivindicações de revisão do estatuto. Na terça-feira há uma reunião com a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, mas o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) não acredita num bom resultado.
"Tudo aponta para que a proposta do Governo não seja favorável e, se assim for, vamos recusar trabalhar para além do horário normal", revelou ao Correio da Manhã o dirigente António Albuquerque, acrescentando: "O sistema de Justiça vai sofrer muito com isto, porque se tem mantido à tona graças às milhares de horas oferecidas pelos funcionários judiciais".
O dirigente lamenta que "o Ministério da Justiça viva sob a ditadura do Ministério das Finanças, como a própria ministra admitiu recentemente, naquilo que foi um atirar da toalha ao chão".
Segundo o sindicato, a maior parte dos 6 mil funcionários ganha menos de 1000 euros líquidos. "Trabalhamos em tribunais sem condições, com amianto, a classe está envelhecida e muitos têm doenças profissionais", disse.
PORMENORES
750 promoções
Entre as reivindicações dos oficiais de justiça está um estatuto que reconheça a complexidade da função, o reforço de 1400 funcionários e a concretização de 750 promoções na carreira.
Três greves na Justiça
No setor da Justiça decorrem atualmente greves dos juízes, guardas prisionais e funcionários judiciais. Estes fazem greve de uma semana em janeiro.
Greve em Lisboa com adesão de 90 por cento
A greve que tem afetado as várias comarcas do País chegou ontem a Lisboa, onde a adesão foi de 90 por cento, segundo o SFJ. As greves parciais de três horas diárias, iniciadas a 5 de dezembro, prosseguem até ao final do ano.
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