Câmara de Lisboa aprova período de participação pública sobre Programa Menos Ruído

Programa vai disponibilizar 10 milhões de euros para melhorar o isolamento acústico de habitações afetadas pelo ruído do Aeroporto Humberto Delgado.

07 de maio de 2026 às 00:05
Câmara de Lisboa Foto: Getty Images
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A Câmara de Lisboa aprovou esta quarta-feira, por unanimidade, um período de participação pública de 15 dias úteis no âmbito do início da elaboração do regulamento do concurso Programa Menos Ruído, destinado a mitigar o impacto gerado pelo aeroporto.

Em causa está o Programa Menos Ruído, criado pelo Governo, que vai disponibilizar 10 milhões de euros para melhorar o isolamento acústico de habitações afetadas pelo ruído do Aeroporto Humberto Delgado, nos concelhos de Almada, Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira.

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Em reunião privada, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) decidiu que, para efeitos de participação procedimental, os eventuais interessados na elaboração do regulamento do concurso Programa Menos Ruído para o concelho podem pronunciar-se num período de 15 dias úteis, a contar a partir da publicação de aviso no sítio institucional e no Boletim Municipal.

Segundo a proposta da governação PSD/CDS-PP/IL, sob presidência do social-democrata Carlos Moedas, as sugestões devem ser apresentadas por escrito, até ao final do prazo, através de requerimento dirigido ao presidente da CML, "a enviar por meio eletrónico para dmaevce.daeac@cm-lisboa.pt, ou por via postal para o Departamento de Ambiente Energia e Ação Climática, sito na Praça José Queirós, n.º 1, 3.º Piso-Fração 5, 1800-237 Lisboa".

A proposta determina ainda que "a constituição como interessados e a apresentação de contributos para a elaboração do projeto de regulamento se processe por meio de requerimento, a dirigir ao presidente da Câmara Municipal, identificando devidamente o requerente e o procedimento".

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Segundo a CML, a implementação do Programa Menos Ruído no concelho de Lisboa pressupõe a definição de critérios, condições e procedimentos aplicáveis à abertura, tramitação e gestão do respetivo concurso, "assegurando transparência, equidade e eficácia na atribuição dos apoios financeiros aos beneficiários elegíveis", pelo que é necessário estabelecer o respetivo enquadramento regulamentar.

Em comunicado, a vereação do PS criticou a "ausência de medidas concretas" relativamente ao aumento dos voos noturnos e ao impacto do ruído na cidade.

"Lisboa recebe a maior fatia do Fundo Ambiental para apoiar a população e mitigar o ruído dos voos noturnos, mas está muito atrasado o regulamento de atribuição. A CML revela displicência na mitigação do ruído e na melhoria da vida dos moradores", expôs a vereadora do PS Carla Madeira.

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No final e março, a CML disse que o programa para apoiar o isolamento de habitações afetadas pelo ruído associado à operação do Aeroporto Humberto Delgado deveria ser lançado até ao final de maio.

O Programa Menos Ruído, aprovado em 16 de março de 2025, devia ter avançado em setembro, mas a assinatura dos protocolos para a execução só foi formalizada em 22 de janeiro.

Em resposta à Lusa, a CML indicou que vai receber 2.798.730 euros em 2026, a que acresce a "reprogramação" de igual valor, que chegou a estar previsto para 2025, mas que, "por diversas vicissitudes, não foi possível executar", e que passará agora para 2027.

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Ou seja, Lisboa terá um total de mais de cinco milhões de euros (5.597.460) para os dois anos de apoio previstos no Programa Menos Ruído, para financiar intervenções em "fachadas, janelas, caixilharias e caixas de estore de edifícios habitacionais que não cumpram os requisitos acústicos" e "se localizem nas zonas expostas a níveis de ruído" que ultrapassam os limites estabelecidos na lei.

Em concreto, detalhou a autarquia da capital, as intervenções abrangerão as freguesias de Alvalade, Avenidas Novas, Alcântara, Campo de Ourique, Campolide, Estrela, Lumiar, Santa Clara e São Domingos de Benfica.

Segundo o Programa Menos Ruído, deve ser dada prioridade ao investimento em residências privadas destinadas a habitação permanente e que estejam localizadas em zonas onde se verifique maior ruído, estando excluídos de apoio os estabelecimentos comerciais.

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