Câmara de Lisboa condena ato de violência contra participantes na Marcha pela Vida
No momento do incidente, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés. O engenho embateu junto de um grupo de manifestantes.
Câmara de Lisboa condenou esta quarta-feira, unanimemente, o ato de violência contra participantes na Marcha pela Vida, realizada no sábado junto à Assembleia da República, e reafirmou o "compromisso inabalável" da autarquia com o Estado de Direito democrático.
Em reunião pública, o executivo municipal aprovou dois votos de condenação, um da governação PSD/CDS-PP/IL e outro do PCP, ao ato de violência registado durante a Marcha pela Vida, em que, segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), uma pessoa arremessou "um engenho incendiário improvisado do tipo 'cocktail molotov', contendo gasolina", na direção dos participantes desta iniciativa, sem registar feridos.
No momento do incidente, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés. O engenho embateu junto de um grupo de manifestantes, mas não chegou a deflagrar no momento do impacto.
O voto de PSD/CDS-PP/IL refere que se tratou de "um grave incidente de violência que atentou contra a integridade física dos participantes e contra os princípios fundamentais que regem o Estado de Direito democrático".
Além de manifestar a sua condenação pelo ato de violência perpetrado contra os cidadãos presentes na Marcha pela Vida, o voto subscrito pela equipa liderada por Carlos Moedas (PSD) saudou a atuação das forças de segurança, "designadamente da PSP, que evitou consequências de maior gravidade para todos os envolvidos", e reafirmou "o compromisso inabalável da Câmara Municipal de Lisboa com o Estado de Direito democrático, o pluralismo político e com a segurança das pessoas, rejeitando todas as formas de extremismo e violência".
Neste sentido, a governação PSD/CDS-PP/IL exortou todas as forças políticas a demarcarem-se, "sem ambiguidades", de movimentos e organizações com discursos e práticas incompatíveis com os valores do Estado de Direito, que provoquem erosão às regras do convívio democrático e/ou que fomentem a intimidação, a coação e a agressão.
Houve unanimidade do executivo municipal na aprovação do voto de PSD/CDS-PP/IL, bem como no voto subscrito pelo PCP, que condena "veementemente" o ato de violência registado contra os participantes nesta Marcha e reafirma o compromisso da Câmara de Lisboa na defesa da garantia dos direitos de liberdade de expressão, informação e manifestação.
Com o voto do PCP, o executivo municipal exigiu também às entidades competentes "o apuramento de todas as responsabilidades e ação em conformidade".
Além de oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL (incluindo o presidente) e de uma independente ex-Chega, entre os 17 membros que compõem o executivo municipal há quatro vereadores do PS, um do Livre, um do BE, um do PCP e um do Chega.
O suspeito deste ato de violência, um homem de 39 anos, foi de imediato detido no local, indicou a PSP, referindo que este cidadão não participava na Marcha pela Vida.
Apesar de o engenho não ter deflagrado no momento do impacto e não ter provocado feridos, a PSP relatou que o incidente gerou "um clima de alarme e perturbação no local" e algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável.
Além do suspeito, estavam no local outras pessoas, que acabaram por fugir e que, segundo a PSP, estariam integradas "num grupo alegadamente de conotação anarquista, tendo mais tarde sido identificados três membros em outra artéria".
A Marcha pela Vida, realizada em Lisboa no quadro da Caminhada pela Vida, que teve lugar em 12 cidades do país contra a interrupção voluntária da gravidez, começou no Largo do Carmo e seguiu até ao Palácio de São Bento.
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