Câmara de Lisboa diz que apenas se prevê abate de dois plátanos em Entrecampos
Está confirmado o processo de relocalização de 42 jacarandás.
A operação urbanística de Entrecampos, em Lisboa, obrigou ao abate de dois plátanos em fevereiro, por "absoluta impossibilidade" de transplante ou de manutenção no local, informou esta quarta-feira a Câmara Municipal, confirmando o processo de relocalização de 42 jacarandás.
"Em termos operacionais, os trabalhos de transplante dos 42 jacarandás abrangidos iniciaram-se a 30 de março [segunda-feira], sendo que na medida que sejam retirados, serão imediatamente plantados nas novas localizações", indicou a Câmara de Lisboa, em resposta à agência Lusa.
De acordo com a autarquia, presidida por Carlos Moedas (PSD), em fevereiro procedeu-se ao "abate de dois plátanos junto à estação de Entrecampos", por "absoluta impossibilidade" de transplante ou de manutenção, "sendo estas as únicas árvores existentes no local que, de facto, foram objeto de abate".
Em causa está a remoção de árvores na Avenida 5 de Outubro, sobretudo da espécie jacarandá, para construção de um parque de estacionamento subterrâneo, no âmbito da operação urbanística de Entrecampos. Este processo iniciou-se há um ano e motivou uma petição contra o abate de jacarandás, que reuniu mais de 54 mil assinaturas.
Na sequência da contestação, em abril de 2025, a Câmara de Lisboa recuou quanto à remoção de árvores na Avenida 5 de Outubro, tendo decidido autorizar "apenas três" transplantes em vez de 20 e pedir a reavaliação dos 25 abates previstos.
O plano inicial previa a remoção de 47 árvores no eixo da Avenida 5 de Outubro, onde há 75 jacarandás, definindo que 30 seriam mantidos, 20 transplantados (a que se juntariam dois plátanos) e os restantes 25 abatidos. Simultaneamente, o projeto determinava que seriam replantados 39 jacarandás, a que se juntariam 49 outras árvores.
Um ano depois da decisão de reavaliar a remoção de árvores neste eixo da capital, a Câmara de Lisboa realçou o compromisso com "uma política de proteção e reforço do património arbóreo da cidade, tendo como prioridade preservar as árvores existentes e, simultaneamente, intensificar a realização de novas plantações".
Neste sentido, segundo a autarquia, "foi determinado que a prossecução da Operação Integrada de Entrecampos teria, obrigatoriamente, de salvaguardar todas as árvores possíveis, nomeadamente através do seu transplante para parques e jardins da cidade".
Paralelamente ao abate de dois plátanos e ao processo de transplante de 45 jacarandás, dos quais três transplantados há um ano, o município disse que se encontra na fase final a plantação de 89 árvores, oferecidas pela Fidelidade Property, promotora do projeto urbanístico, que estão a ser plantadas em caldeiras de alinhamento urbano, localizadas na freguesia das Avenidas Novas, onde decorre a Operação Integrada de Entrecampos.
De acordo com a autarquia, a plantação destas árvores permite "materializar, no imediato, as boas práticas de qualificação do espaço urbano no que se refere à sua estrutura arbórea, essencial para garantir a harmonia visual e reduzir as ilhas de calor urbano".
A Câmara de Lisboa destacou ainda a campanha de plantação de 200 jacarandás em vários parques e jardins da cidade, que se encontra em fase de conclusão, indicando que estas árvores correspondem às contrapartidas negociadas pelo promotor privado em abril de 2025.
"A plena implementação da Operação Integrada de Entrecampos terá como resultado a criação de 17 mil m2 de espaços verdes de usufruto público, integrando ainda a plantação de 202 novas árvores, de várias espécies, que efetivamente tornarão mais verde esta zona central de Lisboa", adiantou a autarquia.
Sobre a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, o município referiu que a avaliação do projeto concluiu "não ser possível alterar" as condições definidas na hasta pública.
Na terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, o PAN denunciou o abate de 42 jacarandás, tendo a Câmara de Lisboa afirmado que "não há abates".
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