Câmara de Lisboa diz que "é normal" que ainda haja indemnizações "em negociação" para vítimas do elevador da Glória

Vice-presidente da autarquia reforçou que as indemnizações estão a ser atribuídas e que "é normal que algumas não estejam fechadas", sem adiantar quantas são e quais os valores.

24 de junho de 2026 às 18:57
Elevador da Glória Foto: Direitos Reservados
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O processo de indemnização às vítimas do acidente do elevador da Glória ainda está em curso, com compensações já pagas e outras "em negociação", revelou esta quarta-feira o vice-presidente da Câmara de Lisboa, sem detalhar, considerando a demora "normal".

"As compensações estão a ser tratadas e já houve compensações pagas e há outras que ainda estão -- é normal -- em negociação, porque há cidadãos que pedem valores -- não vou classificar -- com uma escala muito distinta. Isto acontece em todas as situações em qualquer parte do mundo", afirmou Gonçalo Reis (PSD), na reunião pública da Câmara de Lisboa, após ser questionado pela vereação do PS.

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O vice-presidente da autarquia reforçou que as indemnizações estão a ser atribuídas e que "é normal que algumas não estejam fechadas", sem adiantar quantas são e quais os valores.

Em causa está o descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 03 setembro, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Passados cerca de 10 meses do acidente, o vereador do PS Pedro Anastácio voltou a exigir respostas da governação PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, sobre o descarrilamento, nomeadamente quanto às auditorias para "apuramento cabal" da causa do acidente e quanto aos apoios às vítimas e seus familiares.

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"São esclarecimentos que são devidos à cidade e que estão em falta", afirmou o socialista, defendendo que o honrar da memória das vítimas passa por "um processo de apuramento rigoroso, transparente e cabal" sobre o acidente.

Por isso, Pedro Anastácio insistiu com o pedido de informação sobre as auditorias contratadas, afirmando que já existe uma primeira parte de conclusões, embora, "até ao momento, elas sejam secretas".

"Quantas vítimas, efetivamente, já foram indemnizadas ou já se alcançou acordo?" perguntou o socialista.

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Em resposta, o vice-presidente da câmara acusou o PS de "continuar a fazer aproveitamento político" desta tragédia e assegurou que a autarquia está a cumprir com a atribuição de indemnizações, bem como no processo de auditorias, em que está a decorrer uma auditoria interna, por parte da empresa municipal Carris (responsável pelo elevador da Glória), e uma auditoria externa, atribuída ao CATIM - Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica.

"As auditorias não são secretas, as auditorias são técnicas e estão a decorrer [...] Até haver relatórios finais, estão em processo, e a administração vai analisá-las tecnicamente primeiro. É assim que se faz", afirmou Gonçalo Reis, enaltecendo a competência, experiência e credibilidade no setor da nova administração da Carris, liderada por Rui Lopo.

Em relação à solução técnica futura para o elevador da Glória, a Carris está a trabalhar nesse âmbito, para que seja apresentada "nos próximos meses", adiantou o social-democrata.

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O autarca realçou ainda que, por iniciativa da governação PSD/CDS-PP/IL, a administração da Carris vai reunir-se com os vereadores da oposição -- PS, Livre, BE, PCP e Chega --, na sexta-feira, e com os deputados municipais, na segunda-feira, para "explicar com toda a transparência" o que está a fazer.

"Eu vou estar no início e não quero estar no tempo todo porque quero que os senhores falem com toda a liberdade com a administração da Carris", disse Gonçalo Reis, procurando pôr fim ao aproveitamento político da tragédia do elevador da Glória.

Lamentando a falta de dados concretos, o socialista Pedro Anastácio considerou que, "num tema desta magnitude", não conseguir dizer quantas pessoas foram já indemnizadas "demonstra bastante impreparação".

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