Carlos Moedas rejeita aplicação de taxas aos automobilistas que entram em Lisboa

Autarca lisboeta afirmou que "seria absolutamente impensável castigar as pessoas com mais impostos".

08 de julho de 2026 às 18:51
Carlos Moedas rejeitou, esta quarta-feira, a aplicação de taxas aos automobilistas que entram em Lisboa Foto: Duarte Roriz
Partilhar

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), rejeitou esta quarta-feira a aplicação de taxas de congestionamento para limitar a entrada de automóveis na cidade, defendendo ao invés o reforço dos transportes públicos.

O autarca social-democrata falava aos jornalistas à margem da apresentação do estudo "Tendências Urbanas de Mobilidade 2026 - AM Lisboa", da autoria do Automóvel Clube Português (ACP).

Pub

"É bom recordar que esses passos que são dados de taxas de congestão de tráfico noutras cidades, são cidades muito mais ricas e com populações que têm um nível de vida muito diferente do de Lisboa. Portanto, seria absolutamente impensável para mim estar a castigar as pessoas com mais impostos", argumentou.

Nesse sentido, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu que a solução deve passar pelo reforço da oferta, apontando como exemplos os transportes públicos gratuitos para jovens e idosos, a renovação da frota da Carris, a expansão da rede ciclável, o aumento do número de bicicletas Gira e a criação de parques dissuasores, onde os utilizadores com passe Navegante podem deixar gratuitamente o automóvel.

"Aquilo que temos de fazer é continuar no lado da oferta. No lado de trazer às pessoas mais lugares de estacionamento gratuitos, através de parques dissuasores, mais transportes, criação de uma nova linha de elétrico 16, que vai desde o Terreiro do Paço até Loures, para que as pessoas possam utilizar os transportes", apontou.

Pub

Confrontado com os resultados do estudo, que apontam para tempos médios de espera elevados pelos transportes públicos, o presidente da Câmara reconheceu que é necessário aumentar a frequência das carreiras.

"Temos que fazer mais para as pessoas não estarem tanto tempo à espera", afirmou, ressalvando, contudo, que a situação de Lisboa é menos gravosa do que a verificada noutras capitais europeias.

Com uma posição mais crítica, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, considerou que os transportes públicos em Portugal continuam sem constituir uma alternativa credível ao automóvel.

Pub

"Os transportes públicos em Portugal são francamente maus. Há uma evolução muito pequenina de ano para ano no que diz respeito aos circuitos, à comodidade dos autocarros. Mas, efetivamente, não há alternativa ainda ao automóvel, como demonstra aqui o estudo", apontou.

Carlos Barbosa considerou como medidas essenciais para melhorar a mobilidade o reforço da rede do Metropolitano para fora da cidade, a construção de mais parques de estacionamento dissuasores e o aumento dos corredores BUS.

O presidente do ACP criticou ainda a falta de visão dos responsáveis políticos em matéria de mobilidade, defendendo um maior policiamento do trânsito em Lisboa.

Pub

Por outro lado, instou a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento (EMEL) a concentrar-se "apenas na gestão do estacionamento".

Apesar das críticas, Carlos Barbosa afirmou que os portugueses estão disponíveis para alterar hábitos de deslocação, desde que existam alternativas de transporte "boas, cómodas e simpáticas".

"As pessoas têm de mudar, mas têm de ter alternativas, porque, ao contrário do que se diz, os portugueses não são muito resistentes à mudança. Eles são resistentes se a mudança não for boa",atestou.

Pub

Quase metade dos residentes da Área Metropolitana de Lisboa (AML) utilizaria mais transportes públicos se houvesse maior frequência e horários mais convenientes, revela o estudo "Tendências Urbanas de Mobilidade 2026 - AM Lisboa", esta quarta-feira divulgado.

Segundo o estudo do ACP, que revela como os cidadãos se deslocam e o que consideram faltar para melhorar as deslocações, os transportes públicos mantêm uma presença relevante nos hábitos de mobilidade, mas continuam a enfrentar dificuldades de atratividade face ao automóvel.

O estudo demonstra uma Área Metropolitana de Lisboa onde a pressão automóvel, o estacionamento e a falta de alternativas convenientes continuam a condicionar a mobilidade diária.

Pub

Este estudo foi feito através de inquérito, realizado pela Pitagórica para o ACP, e ouviu 1.850 residentes da AML entre 11 e 27 de novembro de 2025, com o objetivo de avaliar hábitos de deslocação, utilização de transportes, condições de circulação, segurança rodoviária e perceção das políticas municipais de mobilidade.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar