Cerca de 50 técnicos escolares protestam exigindo que Câmara de Gaia cumpra promessas
Em causa está o programa municipal Gaia Aprende+, que, através da cedência de trabalhadores das escolas a IPSS, promove a ocupação dos tempos livres nas interrupções letivas.
Cerca de 50 técnicos escolares manifestaram-se esta quinta-feira em frente à Câmara de Gaia contra a sua transferência para Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) durante as pausas letivas, acusando o executivo municipal de mentir e não cumprir promessas.
"A 20 de janeiro reunimos com a câmara, com o senhor vice-presidente [Firmino Pereira] e um adjunto, e o senhor vice-presidente garantiu-nos - até porque já o tinha afirmado nas redes sociais - que a ideia era progressivamente tirar os trabalhadores da câmara (...) para trabalharem nas escolas e não nas IPSS", explicou à Lusa Lurdes Ribeiro, dirigente do STFPSN -- Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte.
Em causa está o programa municipal Gaia Aprende+, que, através da cedência de trabalhadores das escolas a IPSS, promove a ocupação dos tempos livres nas interrupções letivas semestrais, do Natal, da Páscoa e férias escolares.
Os trabalhadores estão em greve de esta quinta-feira até 10 de abril em protesto contra a transferência para as IPSS neste período, após paralisação idêntica nas férias de Natal.
Segundo a sindicalista, o trabalho nas escolas durante as pausas letivas é necessário, por exemplo, "para que os assistentes operacionais possam fazer as limpezas profundas, a higienização" das escolas.
Lurdes Ribeiro referiu que foi comunicado ao sindicato que "na Páscoa poderia não haver condições" para os trabalhadores não irem para as IPSS, mas que o vice-presidente da autarquia se reuniria com o sindicato "em tempo útil, ainda antes de enviar a escala aos trabalhadores, para dar nota disso".
Porém, segundo a dirigente sindical, "no dia 12 de março os colegas foram todos surpreendidos com a escala para a Páscoa, para a pausa letiva do verão, para a pausa letiva de novembro e para a pausa letiva de dezembro".
"Foi o cair tudo. Os trabalhadores estavam cheios de esperança, nós próprios acreditámos. Foi-nos dito pelo senhor vice-presidente, não foi assim por um intermediário qualquer. O senhor vice-presidente tem o pelouro da educação", recordou.
Questionada sobre as declarações de fonte oficial da Câmara de Gaia, que na quarta-feira referiu não ter recebido qualquer pedido de reunião ao presidente [Luís Filipe Menezes] ou ao vice-preisdente, Lurdes Ribeiro respondeu que "mentiram".
"Mentiu ou falhou. Se não mentiu, falhou ao compromisso", disse mais tarde.
À Lusa, a dirigente sindical mostrou ainda três emails enviados para o gabinete de apoio à vice-presidência da Câmara de Gaia e para o email geral, tendo a dirigente sindical dito que também enviou pedidos para o endereço pessoal do vice-presidente.
A Lusa contactou a Câmara de Gaia, que manteve que "o presidente e o vice-presidente não receberam pedidos de reunião".
Lurdes Ribeiro disse ainda que esta quinta-feira o sindicato não entregou documentos na Câmara.
"Não vamos entregar. Nós o que tínhamos a entregar, já entregámos. Eles é que não estão a cumprir, não estão a cumprir o compromisso deles", afirmou, dizendo também que, "se calhar nestas férias ainda vai haver mais alguma coisa" em termos de ações de luta.
Na quarta-feira, fonte oficial da Câmara de Gaia disse que "apesar desses problemas serem da responsabilidade do anterior executivo, o atual executivo tudo fará para os resolver no futuro".
"Esta é uma questão que não é de agora, vem do executivo anterior. Já tentámos reunir com o novo executivo, mas nem sequer uma resposta ao nosso pedido de reunião tivemos. Há uma total falta de diálogo connosco e depois assistimos a alguns responsáveis a falarem desta questão nas redes sociais", afirmou no início do ano outro membro do sindicato, Orlando Gonçalves.
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