Cerca de 500 pessoas protestam em Lisboa pelo fim do bloqueio e agressão dos EUA contra Cuba

Manifestação começou na Cidade Universitária em Lisboa e seguiu até à embaixada dos Estados Unidos.

25 de junho de 2026 às 19:46
Ação de protesto "Solidariedade com Cuba! Fim ao bloqueio, à agressão e às ameaças dos EUA!" promovida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e pelo Conselho Português para a Paz Cooperação (CPPC) em Lisboa, 25 de junho de 2026 Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Ação de protesto "Solidariedade com Cuba! Fim ao bloqueio, à agressão e às ameaças dos EUA!" promovida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e pelo Conselho Português para a Paz Cooperação (CPPC) em Lisboa, 25 de junho de 2026 Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Ação de protesto "Solidariedade com Cuba! Fim ao bloqueio, à agressão e às ameaças dos EUA!" promovida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e pelo Conselho Português para a Paz Cooperação (CPPC) em Lisboa, 25 de junho de 2026 Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Ação de protesto "Solidariedade com Cuba! Fim ao bloqueio, à agressão e às ameaças dos EUA!" promovida pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e pelo Conselho Português para a Paz Cooperação (CPPC) em Lisboa, 25 de junho de 2026 Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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Cerca de 500 pessoas reuniram-se esta quinta-feira em Lisboa para denunciar as ameaças dos Estados Unidos a Cuba e para pedir o fim da agressão e do bloqueio à ilha caribenha, alvo de sucessivas sanções por parte de Washington.

A manifestação, dinamizada pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e pelo Conselho Português para a Paz Cooperação (CPPC), começou na Cidade Universitária em Lisboa e seguiu até à embaixada dos Estados Unidos.

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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, também se juntou ao protesto pela "causa cubana" e "contra o criminoso bloqueio e a permanente agressão" de Washington contra Havana.

"Estamos aqui num ato de solidariedade com o povo cubano, com a sua luta, com a sua capacidade de poder decidir o seu caminho", continuou.

Paulo Raimundo considerou que, mesmo face às ameaças, "inclusive militares", o povo cubano "está a resistir com grande determinação".

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Para o vice-presidente da AAPC, João Terreiro, as ameaças e medidas do Presidente norte-americano, Donald Trump, e do secretário de Estado, Marco Rubio, contra Cuba somam-se aos mais de 60 anos de bloqueio que a associação denuncia há já mais de cinco décadas.

"A associação tem por objetivo a denúncia do bloqueio, mas também tem por objetivo o envio de medicamentos e de material que é necessário", disse, acrescentando que, só este ano enviou cerca de 15 toneladas de ajuda humanitária desde Portugal.

O vice-presidente disse ainda não acreditar que os Estados Unidos farão uma intervenção militar em Havana à semelhança da Venezuela ou do Irão.

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"Estas medidas servem única e exclusivamente para dividir o povo cubano. O povo cubano, ao passar fome, não há revolução que consiga resistir, e é esse o objetivo deles [EUA]", continuou, mas garantiu que os cubanos continuarão a resistir.

Também a presidente do Conselho Português para a Paz Cooperação, Isabel Camarinha, sublinhou que os Estados Unidos "apertam mais o cerco" ao povo cubano que "está a passar enormíssimas dificuldades".

"O povo cubano precisa de ter direito à sua soberania, ao seu desenvolvimento soberano, a serem eles a decidir os seus destinos e não continuarem a ser pressionados da forma como são pelos Estados Unidos da América, que querem ser eles os donos de Cuba", frisou Isabel Camarinha.

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"Esta manifestação tem exatamente esta vertente de afirmação, mas também de solidariedade dos que aqui em Portugal, portugueses e quem cá vive e trabalha, tem com o povo cubano, que sempre foi um povo solidário com os povos de todo o mundo", acrescentou.

Isabel Camarinha considerou vergonhosa a resolução aprovada pelo Parlamento Europeu em que os eurodeputados afirmam que após 50 anos de "regime Comunista" Cuba "está perto de se tornar um Estado falhado".

"A resolução aprovada no Parlamento Europeu, infelizmente com votos de deputados portugueses, do PSD, do CDS, da iniciativa liberal e do Chega, é uma resolução com base num conjunto enorme de mentiras, de falsidades sobre a situação que se vive em Cuba e que responsabiliza o Governo cubano pela situação que os cubanos estão a viver", defendeu, acrescentando que a situação no país se deve aos "66 anos de bloqueio dos Estados Unidos".

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Na convocatória do protesto, sob o lema "Cuba não está só! Cuba vencerá!", as organizações promotoras partilharam várias razões que motivaram a ação.

Cuba tem atravessado uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo cerco ao petróleo dos EUA, com apagões de quase 40 horas consecutivas em Havana e até 72 horas consecutivas no resto do país, o que agravou a profunda crise económica que a ilha vinha a arrastar há seis anos.

A economia está quase totalmente paralisada e estima-se que contrairá pelo menos 6,5% este ano, ao que se deve juntar uma queda acumulada de mais de 15% entre 2020 e 2025.

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