Cientistas descobrem bactéria com 5 mil anos resistente a medicamentos

Descoberta foi feita numa gruta de gelo na Roménia e levanta alertas quanto aos riscos das alterações climáticas.

18 de fevereiro de 2026 às 11:47
Cientistas descobrem bactéria com 5 mil anos resistente a medicamentos Foto: AP
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É uma descoberta que leva a comunidade científica a alertar para os perigos das alterações climáticas: uma bactéria resistente à medicina moderna, contida numa camada de gelo com cerca de 5 mil anos, foi descoberta numa das maiores grutas de gelo do mundo, na Transilvânia, Roménia, levantando novas questões sobre a capacidade humana de resistência a estes micro-organismos milenares.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Frontiers in Microbiology, a descoberta da Psychobracter SC65A.3 resultou de uma expedição às grutas de Scarisoara, liderada por cientistas do Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena.

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"Estas bactérias antigas são essenciais para a ciência e para a medicina, mas lidar com elas cuidadosamente e respeitar as medidas de segurança no laboratório é essencial para evitar o risco de uma fuga", explicou ao BBC Science Focus Cristina Purcarea, cientista sénior do instituto romeno.

O estudo da bactéria agora descoberta não detetou que represente um risco para os seres humanos, até porque a sua evolução ao longo de milénios condiciona a sua sobrevivência em temperaturas não negativas.

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A sua capacidade de resistência é também de salientar, já que os testes feitos à  Psychobracter mostram que esta não responde a pelo menos dez dos antibióticos mais comummente utilizados nos hospitais.

Isso, e a possibilidade de estes organismos entrarem em contacto com outras bactérias, presentes no nosso ecossistema atual, fortalecendo a capacidade de resistência destes, serve como um lembrete da sua adaptabilidade e dos possíveis problemas que pode trazer à humanidade. "Se o degelo libertar estes micróbios, os seus genes podem espalhar-se às bactérias modernas, aumentando ainda mais o desafio da resistência aos antibióticos", explicou Purcarea.

No entanto, os cientistas salientam que nem tudo é mau. A natureza primitiva de micro-organismos como o agora detetado podem ser úteis para estudar a evolução das bactérias ao longo dos anos e ajudar a combater mutações modernas que possam ser um perigo para os humanos.

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"Estas bactérias antigas são essenciais para a ciência e para a medicina", sublinha e especialista.

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