Cientistas estudam como o clima está a mudar o CO2 no mar
Missão tenta perceber como o aquecimento prejudica o planeta. Catarina Guerreiro é a única portuguesa a bordo e fala ao CM sobre a expedição.
Durante um mês, perto de três dezenas de investigadores estão no Ártico para perceber como o aquecimento do clima está a afetar a concentração de dióxido de carbono (CO2) no oceano. No grupo está Catarina Guerreiro, a única cientista portuguesa a bordo da expedição, liderada pela Universidade de Las Palmas (Espanha). Segundo a investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), “o oceano tem um papel regulador no CO2 atmosférico”, num mecanismo conhecido como “bombas de carbono”.
Presentes em organismos como fitoplâncton, estas bombas de carbono são um fator-chave para regular a capacidade de absorção do carbono nos oceanos. Isto ajuda a regular as concentrações deste gás na atmosfera e no clima. E o Mar da Gronelândia, onde decorre a expedição, é importante para os cientistas, por ser uma zona fria. “Como o fitoplâncton faz fotossíntese retém carbono e, quando morre, as suas partes moles acabam por vir ao de cima. Sendo um mar tão frio, a água é densa. Isso faz com que o CO2 ‘afunde’ e fique no fundo do oceano”, explica a investigadora da FCUL. No caso da cientista portuguesa, o objeto de estudo são os cocolitóforos (uma espécie de nanoplâncton) que utiliza o carbono dissolvido na água para fazer “carapaças”.
Falando com o CM na latitude 77º Norte, junto ao Estreito de Fram, Catarina Guerreiro refere que já começam a existir sinais de uma “acidificação dos oceanos”, que se verifica quando o dióxido de carbono é absorvido em excesso. Ou seja: “O oceano já tem mais do que o desejável, mas a Terra seria ainda mais quente sem esta absorção de carbono”.
Com a partida a ter acontecido de Reiquiavique (Islândia) a 3 de agosto, a expedição terminou na sexta-feira, quando a equipa chegou a Svalbard, na Noruega.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt