"Coimbra dos Estudantes" garante que vai continuar a realizar garraiada
Referendo proposto pela AAC e pela Comissão de Organização da Queima das Fitas ditou o fim da tradição académica.
Um dia depois dos alunos terem decidido acabar com a garraiada na Queima das Fitas, através de um referendo realizado na terça-feira, o movimento "Coimbra dos Estudantes" veio reiterar a sua posição e mostrou-se descontente com a decisão, garantindo que está determinado "em manter a tradição da academia coimbrã".
Num comunicado publicado via Facebook, o movimento deixa bem assente que pretende dar continuidade a esta prática com 115 anos, sublinhando que "valores democráticos da academia devem garantir que alunos possam escolher participar no evento", mesmo que o Conselho de Veteranos lhe coloque um fim.
Com o slogan "A garraiada vai continuar - Uma Universidade para todos", o 'Coimbra dos Estudantes' acusa a Associação Académica de Coimbra e a Comissão de Organização da Queima das Fitas de irregularidades e de terem imposto a vontade de uma minoria a toda a comunidade estudantil.
"O resultado do referendo apenas demonstra que o tema, para uma enorme maioria, não é sequer motivador para o exercício do voto. De um universo de 24 mil alunos, apenas cerca de 5600 manifestaram a sua opinião", pode ler-se.
Desta forma, o movimento 'Coimbra dos Estudantes' não deixa margem para dúvidas da intenção de continuar a manter viva a tradição da garraiada. Assim, e de acordo com o comunicado, das duas uma: ou a prática se continua a realizar no Coliseu Figueirense, na Figueira da Foz (onde se realiza desde 1903), ou voltará à cidade-mãe, em Coimbra.
Recorde-se que o referendo que ditou a abolição da garraiada decorreu em todas as faculdades da Universidade de Coimbra, no entanto, apenas cerca de 1/4 dos estudantes exerceram o seu direito de voto.
A decisão de criar este referendo teve origem no facto de em 2016, a tradição ter sofrido algumas alterações, tais como ter sido retirada a lide do novilho a pé a cavalo, mas também na sequência de vários protestos e discussões entre a comunidade académica face a este evento.
Esta decisão não é exclusiva de Coimbra: em 2016, a Queima das Fitas do Porto já tinha optado por suspender a garraiada académica, justificando a medida com a "fraca adesão dos estudantes" e "à queda da tradição tauromática".
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