Combate ao idadismo requer atividades intergeracionais, políticas e educação
Preconceito constitui "um obstáculo à participação em sociedade" dos idosos.
O cofundador do movimento ibero-americano #StopIdadismo, José Carreira, afirmou esta sexta-feira, em Coimbra, que o combate ao idadismo passa pela realização de atividades intergeracionais, por políticas e legislações na área e pela educação.
Segundo José Carreira, o enfrentamento ao idadismo, como diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), passa por três pilares fundamentais, nomeadamente a realização de atividades intergeracionais com significado e regularidade, as políticas e legislações voltadas para a temática e a educação.
O responsável falava durante a tarde de esta sexta-feira, em Coimbra, numa mesa-redonda, realizada no âmbito da final da primeira edição do Concurso Regional Idadismo Zero 2025, uma iniciativa promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, que desafia os alunos do ensino superior da região a apresentarem ideias para combater o idadismo.
De acordo com o também presidente das Obras Sociais de Viseu, "as políticas públicas estão muito pouco direcionadas para aquilo que é preciso fazer, mas, contudo, aos poucos começa a haver um caminho".
Para o especialista, "há um antes e um depois" do relatório da OMS de 2021, quando foram dados vários passos importantes no mundo e em Portugal, de que é exemplo a palavra idadismo passar a constar nos dicionários da língua portuguesa há cerca de três anos.
José Carreira apontou que tanto os idosos quanto os jovens são muito afetados por este preconceito etário, que é "a terceira forma de discriminação [mais comum], depois do racismo e do sexismo", apesar de ser "pouco ou nada valorizada".
"O que é preciso são política públicas focadas na longevidade", defendeu, realçando a importância de atuar o mais breve possível e explicando que uma pessoa pode ser vítima do idadismo em qualquer etapa da sua vida.
A mesa-redonda "Afinal o que é o Idadismo e como o posso combater?" contou também com a presença da locutora e apresentadora de televisão Maria Petronilho, e da empresária Silvia Pelham, que, com José Carreira, formaram o júri do Concurso Regional Idadismo Zero.
Na ocasião, Maria Petronilho defendeu que o idadismo é um tema que deve ser falado, levado às redes sociais e, questionada pelo moderador, admitiu a importância de o tópico estar presente em peças dos órgãos de comunicação social.
Já Silvia Pelham realçou "a imensa importância" da relação intergeracional, sublinhando a capacidade de os mais velhos transmitirem conhecimentos aos mais novos.
Durante a sessão da final do concurso, o vice-presidente para a área da saúde da CCDR do Centro, Licínio Oliveira de Carvalho, também afirmou que o idadismo é "a terceira forma de discriminação mais frequente".
O preconceito "afeta sobretudo os mais jovens e as pessoas mais velhas", constituindo, principalmente no caso da população idosa, "um obstáculo à sua participação em sociedade".
"Compromete a dignidade, leva ao isolamento, à degradação da saúde mental e física e faz com que as pessoas deixem de ter um propósito ou uma voz, com consequências para toda a sociedade", acrescentou.
A primeira edição do Concurso Regional Idadismo Zero distinguiu o projeto "Pontos de Idade", uma ideia apresentada pelas alunas do Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, em Aveiro, Grazyelle de Melo e Diana Ferreira, com orientação do professor Bruno Soares, para colocar em diálogo gerações distintas, através de um 'podcast'.
Com este concurso, a CCDR do Centro, em articulação com as instituições de ensino superior da região, quer "reconhecer e reproduzir no território ideias que contribuam para o combate ao idadismo e para a promoção de uma cultura de respeito pelas pessoas mais velhas, garantindo que todos, independentemente da idade, tenham a oportunidade de viver uma vida plena, digna e significativa".
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