Comunidade israelita de Lisboa condena 'graffiti' sobre Palestina no prédio adjacente à Sinagoga
CIL adianta que o ato de vandalismo ocorreu num "contexto internacional particular", o da divulgação de um vídeo "envolvendo atitudes e declarações polémicas do ministro Itamar Ben-Gvir.
A Direção da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) condenou esta quinta-feira uma inscrição sobre a Palestina pintada no edifício adjacente à Sinagoga de Lisboa, que considera um "ataque dirigido" ao local de culto judaico.
Em comunicado, a CIL salienta que a inscrição da frase "Free Palestine from the river to the sea" (Palestina livre desde o rio até ao mar) "não é um mero ato de vandalismo urbano, nem uma simples manifestação política", já que "não é inocente, nem tão pouco é neutra", tratando-se "de um 'slogan' amplamente associado à negação do direito à existência do Estado de Israel".
A CIL adianta que o ato de vandalismo ocorreu num "contexto internacional particular", o da divulgação de um vídeo "envolvendo atitudes e declarações polémicas do ministro Itamar Ben-Gvir, [que] provocaram tensão e indignação um pouco por todo o mundo".
Na quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, líder de um partido da extrema-direita, provocou indignação internacional e foi criticado pelo próprio Governo israelita ao divulgar um vídeo mostrando ativistas da flotilha 'Global Sumud', que se dirigia à Faixa de Gaza, a serem humilhados por soldados israelitas.
Os ativistas da flotilha aparecem nas imagens ajoelhados, com os rostos pressionados para baixo e as mãos amarradas atrás das costas, vendo-se uma delas a ser agarrada pelos cabelos após gritar "Palestina livre". "Bem-vindos a Israel, estamos em casa", declara o ministro, ao som do hino nacional do Estado hebreu.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou as imagens "incompatíveis com os valores de Israel", enquanto o chefe da diplomacia acusou o colega da Segurança Nacional de ter "prejudicado deliberadamente" a imagem do país com o "espetáculo vergonhoso".
A União Europeia (UE) classificou como "completamente inaceitável" o tratamento dado aos ativistas da flotilha e vários países europeus, incluindo Portugal, convocaram os embaixadores israelitas para protestar, enquanto o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, criticou as "ações desprezíveis" de Ben-Gvir.
Sobre a inscrição pintada no edifício em Lisboa, a Direção da CIL diz ainda confiar que "as autoridades identificarão os responsáveis (...) e que irão atuar de forma exemplar com a determinação e firmeza que a gravidade deste ato exige".
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