Confederação diz que medidas de apoio aos combustíveis não servem "para compensar os agricultores"
Apoios fazem parte de um conjunto de medidas, cujo custo global ascende a cerca de 150 milhões de euros por mês.
A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) defendeu esta segunda-feira que as medidas anunciadas na sexta-feira de apoio aos combustíveis são irrisórias e não servem "para compensar os agricultores" pelos aumentos dos custos de produção.
"(...) o recente pacote de medidas aprovado em Conselho de Ministros para mitigar a subida dos preços dos combustíveis não serve, de forma alguma, nem para compensar os agricultores pelos aumentos dos custos de produção, nem para diminuir o fosso competitivo com Espanha", adianta a Confagri, em comunicado esta segunda-feira divulgado.
Na sexta-feira, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, um apoio extraordinário de 10 cêntimos por litro, a aplicar entre 01 de abril e 30 de junho, no gasóleo profissional para veículos de transporte de mercadorias e autocarros, bem como um desconto de 10 cêntimos por litro no gasóleo colorido, uma medida que tem vindo a ser reclamada pelos agricultores para fazer face à escalada de preços devido ao conflito no Médio Oriente.
Estes apoios fazem parte de um conjunto de medidas, cujo custo global ascende a cerca de 150 milhões de euros por mês.
A confederação das cooperativas agrícolas assinala que "o preço do gasóleo agrícola já subiu cerca de 42 cêntimos por litro desde o início do mês e que Espanha avançou não só com um desconto de 20 cêntimos por litro, mas também com um pacote de apoio que ronda os 877 milhões de euros só para a agricultura", pelo que considera que "o tardio apoio" do Governo liderado por Luís Montenegro é "irrisório para atenuar a pressão económica que se tem vindo a agravar no setor agroalimentar português".
Na mesma nota, a Confagri sublinha que, através do seu presidente, tem vindo a alertar que "é impossível reforçar a competitividade do agroalimentar português face ao seu congénere espanhol sem assegurar equidade ibérica nos preços de combustíveis e energia", pelo que "considera inaceitável que o Governo continue sem avançar com um conjunto de medidas coerente, célere e eficaz que alivie os encargos resultantes do aumento de combustível e energia, bem como assegure condições de concorrência justas com Espanha".
Em 23 de março, a confederação já tinha criticado a passividade do Governo e alertou que o setor agroalimentar está sob pressão, devido ao mau tempo e ao conflito no Médio Oriente.
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