Faz mal ter relações sexuais durante um eclipse? Crenças populares levantam dúvidas
Não há evidências de que influencie a fertilidade, a gravidez ou a conceção. Ainda assim, durante séculos, este fenómeno foi rodeado de crenças e interpretações simbólicas por culturas.
Quando o eclipse solar de 12 de agosto escurecer o céu durante alguns minutos, milhões de pessoas vão olhar para o fenómeno. Outras procurarão respostas na internet a uma dúvida antiga: faz mal ter relações sexuais durante um eclipse? A resposta da ciência é clara: não existe qualquer evidência de que o eclipse afete a fertilidade, a gravidez ou a conceção. A história da humanidade, porém, conta outra narrativa. Ao longo de séculos, em muitas civilizações, os eclipses eram vistos como sinais de que a ordem do universo tinha sido interrompida. O desaparecimento temporário do Sol em pleno dia, aliado ao comportamento invulgar de alguns animais, alimentava a ideia de que o céu estava a enviar um aviso. E, quando isso acontecia, acreditava-se que o comportamento humano também deveria mudar. Por isso, evitavam tomar decisões importantes como casar, viajar, realizar cirurgias ou conceber filhos.
Em países como a Índia e o Nepal, persistem tradições que aconselham as grávidas a permanecer em casa durante o eclipse, por receio de efeitos negativos no feto. Crenças semelhantes existiram também na Europa e na América Latina, onde se dizia que bebés concebidos ou gestados nestes períodos poderiam nascer com malformações ou marcas na pele. Mas nem todas as culturas, porém, encaravam o fenómeno com receio. Entre os inuítes da Gronelândia, o eclipse simbolizava o encontro entre o Sol e a Lua, descrito como uma união entre duas entidades celestes, enquanto algumas tradições aborígenes australianas interpretavam o fenómeno como uma intervenção espiritual que exigia respeito, mas sem qualquer proibição sexual específica. Hoje, as superstições mudaram de palco e multiplicam-se nas redes sociais, alimentando mitos sobre eclipses e gravidez. No entanto, a astronomia e a medicina são unânimes: um eclipse é apenas um alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra, sem qualquer influência comprovada na saúde ou na conceção.
Daqui a 600 milhões de anos não há eclipses
“O Sol é aproximadamente 400 vezes maior em diâmetro do que a Lua, mas encontra-se também cerca de 400 vezes mais afastado da Terra do que a Lua. Por esta razão, quando observados a partir da superfície terrestre, ambos os corpos celestes apresentam praticamente o mesmo tamanho aparente no céu (cerca de 0,5° de diâmetro angular). Esta igualdade permite que a Lua tape a fotosfera brilhante do Sol com precisão milimétrica, revelando a coroa solar”, explica o Planetário do Porto, no seu site, na página dedicada ao eclipse de 12 de agosto. “Daqui a cerca de 600 milhões de anos, a Lua estará tão distante que já não conseguirá cobrir totalmente o disco solar, existindo apenas eclipses anulares. A Terra é o único planeta conhecido do Sistema Solar onde é possível testemunhar um encaixe tão perfeito entre um satélite e a sua estrela”, conclui.
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