Crianças comem caldos e massa
Vivem com recurso à pensão da mãe, portadora de deficiência, e aos abonos de menores
"Quero sopa", pede Iuri, cinco anos, a chorar. A avó, Maria Vieira, aguenta as lágrimas e reconhece que o menino "tem fome". Toda a comida que sobrou – massa pevide com um caldo knorr – já estava na panela. Os restos da última refeição era tudo o que havia, anteontem ao jantar, para os cinco membros da família.
Na habitação social em Olhão, vivem Maria e Carlos, 45 e 57 anos, a nora Juliana, 28, e dois filhos desta, o Iuri e Luana, de nove anos. Sobrevivem com cerca de 300 euros/mês – a soma dos abonos dos menores com a pensão de invalidez de Juliana, que é portadora de deficiência mental, tal como a filha.
O pai das crianças saiu de casa. Com os avós desempregados, o dinheiro não chega. "Não tenho gás e já devo três meses do almoço de Iuri na escola", admite Maria. O frigorífico é o espelho da miséria. Na maioria das vezes são colocados só dois pratos na mesa. "Tiramos da nossa boca para dar às crianças", explica Carlos. Quando até o pouco falta, é uma vizinha que dá jantar aos meninos.
O casal diz não encontrar emprego e não ter apoios sociais, além de um cabaz de comida anual, de uma instituição. "Estou saturada da vida. É difícil dizer às crianças que não há comida", diz Maria.
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